Aluno de aviação morre após reação alérgica em ritual de banho de óleo
Aluno de aviação morre após ritual de banho de óleo no PR

O engenheiro eletricista e recém-formado piloto Gustavo Henrique Lara, de 27 anos, morreu na noite de quinta-feira (16) em Ponta Grossa, nos Campos Gerais do Paraná, após sofrer uma reação alérgica severa durante um ritual de comemoração de seu primeiro voo solo. A substância responsável foi óleo de motor de aeronave, jogado sobre ele por um instrutor da escola de aviação.

Oito anos de dedicação à aviação

Gustavo vinha se preparando para se tornar piloto há oito anos, conciliando estudos e aulas práticas. Além da nova conquista, ele já era engenheiro eletricista especializado em manutenção de equipamentos hospitalares. Natural de Ipiranga, cidade a 55 quilômetros de Ponta Grossa, ele deixou a mãe, um irmão e uma irmã.

A prima Bárbara Giacomitti descreveu Gustavo como uma pessoa iluminada e batalhadora. "O Gu era um menino sonhador e, principalmente, batalhador! Conseguiu tudo por mérito dele. O maior sonho sempre foi a aviação. Anos e anos se dedicando para isso! Inclusive ele vivia no céu. O trabalho dele o levava para vários cantos do Brasil", relembrou.

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Segundo Bárbara, a família havia sofrido perdas recentes com a morte da avó e do pai do jovem. Mesmo assim, Gustavo sempre lutou para realizar seus sonhos. "Sem dúvidas, um exemplo na vida das pessoas que ele cruzou e deixou uma marca profunda. É uma perda irreparável, nunca vai existir outro igual a ele. Mas que bom que fomos os sortudos. Ele foi cedo demais, mas Deus precisa dos melhores ao lado dele e ele era o melhor", finalizou.

O ritual e a reação alérgica

No dia do primeiro voo solo, Gustavo publicou em redes sociais: "Pode ser que hoje seja o melhor dia de toda a minha formação de piloto até aqui". Amigos e familiares foram convidados para acompanhar o "batismo" nos céus. Após o voo, o instrutor da escola realizou o ritual de jogar óleo de motor sobre o formando, prática comum em algumas escolas de aviação.

O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) informou que Gustavo sofreu uma reação anafilática — a forma mais grave e rápida de reação alérgica. Ele teve uma crise convulsiva seguida de três paradas cardiorrespiratórias. As duas primeiras foram revertidas, mas ele não resistiu à terceira.

Instrutor preso por homicídio culposo

O delegado Lucas Petry confirmou que a substância era óleo usado em motores de aeronaves, jogado por um instrutor da escola, que não teve o nome divulgado. O instrutor se apresentou espontaneamente na delegacia e foi preso em flagrante por homicídio culposo (sem intenção de matar). Ele foi ouvido e liberado após pagar fiança de R$ 3 mil. Segundo a polícia, ele confirmou ter jogado a substância e disse que o banho é feito do pescoço para baixo. A polícia informou que, "até o momento, não foram identificados elementos que indiquem intenção de provocar a morte da vítima".

A investigação vai apurar a composição da substância, a quantidade usada, as regiões do corpo atingidas e a relação entre o procedimento e a morte. Foram solicitados exames necroscópico, toxicológico e químico-pericial. A polícia também analisará imagens, documentos e ouvirá testemunhas, participantes do ritual e familiares.

Repercussão e homenagens

Nas redes sociais, amigos e familiares prestaram homenagens. "Hoje era para ser o dia mais feliz da vida dele, pois estava realizando o seu maior sonho. Menino lindo, com um coração gigante, vai deixar muita saudades", escreveram. Uma prima publicou: "Que tristeza imensa, Gustavo Henrique Lara. Você foi um grande primo e amigo. Nas horas que eu mais precisei vc ligava e me levava pra passear".

O sepultamento de Gustavo ocorreu no sábado (18), com missa de corpo presente no Pavilhão da Igreja Matriz, às 8h, seguida de enterro no Cemitério Municipal de Ipiranga.

Posicionamento da escola e da Anac

O Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) do Aeroclube de Ponta Grossa manifestou pesar pelo falecimento e informou que o fato ocorreu fora da área do CIAC, após o encerramento da atividade de voo. Em nota, a escola disse que não fará comentários adicionais até a conclusão das investigações. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) fez um alerta e afirmou que é essencial "repensar ritos de celebrações" para evitar tragédias semelhantes.

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