Uma professora da rede municipal de São José dos Campos, no interior de São Paulo, denunciou que um aluno colocou uma lâmina de vidro dentro do copo de água dela durante uma aula de Ciências. O caso ocorreu na terça-feira (30), na EMEFI Prof.ª Ildete Mendonça Barbosa, no bairro Parque Residencial União. Três alunos do 8º ano foram identificados pela Prefeitura como envolvidos e suspensos até o fim de julho.
Como a professora percebeu o perigo
Michele Ramos contou à TV Vanguarda que usava o copo durante uma atividade com lâminas de microscópio. Enquanto organizava o material, um dos alunos teria colocado a lâmina de vidro dentro do recipiente. Pouco depois, outro estudante buscou água para ela. "Depois que ele voltou com água, eu percebi que estava todo mundo meio agitado. Perguntei o que tinha no copo e ninguém falava. As meninas diziam: 'Se eu fosse você, não beberia'. Mas eu senti uma certa cumplicidade", afirmou a docente.
Segundo Michele, os alunos começaram a cochichar, rir e fazer sinais para que um colega não entregasse a água a ela. "Se eu fosse você, não beberia essa água, professora", disseram alguns estudantes, segundo o relato da professora. Ela não chegou a beber a água e foi encaminhada para atendimento médico após ficar abalada com a situação.
Medidas da Prefeitura e responsabilização
A secretária de Educação e Cidadania, Ruth Zorneta, afirmou que os estudantes já estão sendo responsabilizados e que o caso foi encaminhado aos órgãos competentes. "Nossos alunos realmente vão sofrer as medidas previstas em legislação. Estamos tratando o caso como ato infracional. Encaminhamos para o Conselho Tutelar e para a delegacia. A professora foi acolhida e receberá todo o apoio necessário", disse.
Em nota, a Prefeitura de São José dos Campos informou que lamenta o ocorrido e reafirmou o compromisso de garantir um ambiente escolar seguro. A equipe gestora da escola prestou atendimento imediato à professora, que foi acolhida e encaminhada para atendimento médico. As famílias dos três alunos envolvidos foram convocadas pela direção da unidade, e os estudantes foram suspensos até o fim de julho. A Prefeitura informou ainda que o caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar e à Polícia Civil para as providências cabíveis e que continuará acompanhando a professora, oferecendo suporte psicológico e demais atendimentos necessários.
Orientações jurídicas para a professora
A advogada especialista em Direito do Servidor Débora Constantino explicou que a professora pode registrar um boletim de ocorrência e buscar a responsabilização dos estudantes e de seus responsáveis. Segundo a especialista, por serem menores de idade, os adolescentes não respondem por crime, mas podem responder por ato infracional. Na esfera cível, a professora também pode pedir indenização por danos morais aos responsáveis. A advogada afirmou ainda que a docente pode abrir uma Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT), procedimento que formaliza a ocorrência e pode garantir direitos relacionados à saúde física e mental do servidor.
Impacto e repercussão
O caso gerou comoção e levantou debates sobre segurança nas escolas. A professora Michele Ramos expressou sua dor: "Uma dor muito grande", disse ela, referindo-se ao ocorrido. A escola fica na Zona Sul da cidade, no bairro Parque Residencial União. A Prefeitura segue acompanhando a situação e prestando apoio à docente.



