O aumento do preço do ouro no mercado internacional reacendeu uma modalidade de crime que parecia ter perdido força: o roubo de joias nas ruas do Rio de Janeiro. Câmeras de segurança flagraram uma sequência de assaltos a cordões, correntes e alianças em diferentes bairros da cidade, revelando um padrão de ação que surpreende as vítimas em segundos.
Onda de roubos: um retrato da violência urbana
Na Tijuca, um criminoso segue uma mulher pela calçada antes de arrancar o cordão do pescoço dela. Na Glória, dois assaltantes armados descem de uma moto e roubam a corrente de uma vítima. No Catete, um homem acompanha um grupo de pedestres e toma a joia de uma das pessoas. Já na Vila da Penha, um morador é abordado na calçada e obrigado a entregar o cordão. As imagens, embora de locais distintos, mostram a mesma técnica: a abordagem rápida e a retirada do objeto em poucos segundos, sem dar tempo de reação.
A comerciante Geane Gomes viveu uma situação parecida. Ela estava dentro do carro, acompanhada do marido, quando foi abordada por um homem armado. Segundo Geane, o assaltante colocou parte do corpo para dentro do veículo e arrancou o cordão que ela usava. Além da corrente, ele levou uma aliança de ouro que pertencia à mãe dela, falecida recentemente. "Eu ainda falei que não era ouro, mas ele arrancou meu cordão e levou a aliança da minha mãe. Ela faleceu há pouco tempo. O valor sentimental era muito grande", contou.
Contexto de violência e o caso do empresário baleado
No mês passado, um empresário de 66 anos foi baleado no estacionamento de um supermercado, no Recreio dos Bandeirantes, durante um assalto. Criminosos levaram um cordão de ouro da vítima. No Aterro do Flamengo, um dos pontos que registraram roubos desse tipo, a Polícia Militar reforçou o patrulhamento. O caso evidencia a gravidade da situação, que vai além do roubo material, envolvendo violência física e psicológica contra as vítimas.
Ouro valorizado: o atrativo para os criminosos
A instabilidade da economia mundial levou investidores a buscar aplicações em ouro, considerado um ativo de segurança. Com o aumento da demanda, o preço do metal disparou nos últimos anos. Atualmente, um grama de ouro puro custa mais de R$ 650 e chegou a se aproximar de R$ 900 há alguns meses, mais que o dobro do valor registrado há cerca de dois anos. Essa valorização torna as joias um alvo ainda mais lucrativo para os bandidos.
Além da alta cotação, o ouro também desperta interesse dos criminosos porque pode ser transformado rapidamente em dinheiro. Diferentemente de celulares, que podem ser rastreados e bloqueados, joias podem ser revendidas ou derretidas com facilidade. Isso dificulta a recuperação dos itens e o rastreamento dos autores.
Resposta das autoridades e dados de redução
Em nota, a Polícia Civil informou que todos os casos registrados são investigados e afirmou que muitos dos autores desses crimes são reincidentes. A corporação disse ainda que atua em conjunto com a Polícia Militar e realiza fiscalizações em estabelecimentos que comercializam joias e metais preciosos. Já a Polícia Militar informou que o combate aos crimes patrimoniais é planejado com base na análise dos indicadores criminais, no reforço do policiamento ostensivo em áreas com maior incidência de ocorrências e em ações integradas entre unidades territoriais e especializadas.
Segundo a PM, houve redução de 16% nos roubos em geral no primeiro semestre deste ano nas áreas onde foram registrados os flagrantes exibidos na reportagem. Apesar disso, a sensação de insegurança persiste entre os moradores, que cobram medidas mais efetivas para coibir esses crimes.



