Agiotas transformam devedores em reféns na Grande BH; mais de 300 denúncias
Agiotas fazem reféns na Grande BH; mais de 300 denúncias

Mais de 300 denúncias de ameaças de agiotas na Grande BH

Mais de 300 pessoas na Grande Belo Horizonte denunciaram ameaças ligadas à atuação de quadrilhas de agiotas, segundo a Polícia Civil. As vítimas relatam cobranças com juros abusivos, agressões, intimidações na porta de casa e até exposição pública em redes sociais e cartazes espalhados pelos bairros.

Operação prende 14 agiotas e apreende 60 veículos

Em maio, uma operação na Grande BH prendeu 14 agiotas e apreendeu mais de 60 veículos usados nas cobranças diárias. Segundo a Polícia Civil, há grupos formados por brasileiros, colombianos e venezuelanos. O delegado regional de Contagem, Rodolpho Tadeu Machado, afirmou que parte dos suspeitos foi recrutada na Colômbia "por integrantes de uma organização que já atuava em Minas Gerais".

Alvos principais: pequenos comerciantes e mulheres que moram sozinhas

Segundo as investigações, os alvos principais são pequenos comerciantes e mulheres que moram sozinhas, consideradas mais vulneráveis pelos criminosos. Vítimas são vigiadas e já tiveram muros de suas casas pichados.

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Relatos de vítimas: dívidas que escravizam

Uma das vítimas, que preferiu não ser identificada, contou à TV Globo que pegou R$ 2 mil e precisaria devolver R$ 5 mil. Outra disse que fez vários empréstimos e hoje vive apenas para pagar as dívidas. “Meu dinheiro todo vai para eles, não sobra quase nada”, relatou. Uma terceira afirmou que chegou a dever entre R$ 40 mil e R$ 50 mil. “Perdi minha dignidade, perdi minha paz. As mensagens eram constantes”, disse.

Ameaças e violência: pichações, arrombamentos e exposição pública

Além dos juros ilegais, quem atrasa o pagamento passa a sofrer ameaças. Vídeos obtidos pela reportagem mostram agiotas pichando muros, ameaçando arrombar cadeados, jogando motos contra portões e publicando mensagens com ameaças diretas. Em uma delas, os suspeitos dizem: “Se não paga a dívida, nós levamos o que tem pra pagar sua palavra”.

Rondas e vigilância constante

A Polícia Civil afirma que os agiotas fazem rondas de moto e de carro e ficam à espera das vítimas na porta de casa ou do trabalho. Em alguns casos, divulgam fotos e dados pessoais de quem está em atraso. Há registros também de vítimas com bens levados à força e até de uma mulher que apareceu com o cabelo raspado e uma arma apontada para a cabeça em uma postagem.

Estratégia da quadrilha: manter a vítima presa à dívida

Para o delegado Raphael Souza Boechat, da 6ª Delegacia de Contagem, a estratégia dos grupos não é apenas receber o valor emprestado, mas manter a vítima presa à dívida. “O objetivo principal que a gente detecta nesses grupos de agiotas não é necessariamente receber o valor integral, mas tornar a pessoa como um escravo da dívida”, afirmou.

Medo impede denúncias e leva a tentativas de suicídio

As vítimas dizem que o medo tem impedido muitas denúncias formais. Uma delas afirmou que tentou suicídio por causa da pressão. “Estou em tratamento psicológico, tomo medicação. Minha vida está assim”, contou. Outra disse que, mesmo sem dinheiro para comer, separa primeiro o valor dos cobradores. “Eu fico até sem comida, mas eu pago”, afirmou.

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