O aeródromo Condomínio Sítio Flyer (SJCF), de onde decolou a aeronave que caiu e matou um casal em Palmas no último sábado (18), opera de forma irregular e está com a pista interditada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) há pelo menos um ano. Documentos oficiais indicam que o local não possui autorização para pousos e decolagens devido a pendências cadastrais e riscos à segurança operacional.
Acidente e vítimas
A aeronave de pequeno porte, modelo EMB-721C, caiu em uma área de vegetação fechada logo após a decolagem, por volta das 10h. O médico Éderson da Silva, de 68 anos, e sua esposa, Roseli Amarilda Pechulo Silva, de 62 anos, morreram. O piloto Hamilton Lopes da Conceição foi resgatado com vida e segue internado em estado instável no Hospital Geral de Palmas (HGP).
Irregularidades do aeródromo
Segundo ofício nº 628/2025 da Anac, o Sítio Flyer está inativo para operações devido a irregularidades cadastrais que se arrastam desde 2020. O órgão aponta que o processo de alteração de responsabilidade e atualização de dados nunca foi concluído, faltando documentos como comprovação de transferência de propriedade e procuração eletrônica do responsável legal. A Anac confirmou ao g1 que o Sítio Flyer não consta na lista de aeródromos autorizados em Palmas. Atualmente, apenas duas áreas privadas na cidade possuem operações legalizadas.
Os principais motivos para a interdição incluem: irregularidade cadastral persistente (processo iniciado em 2020 nunca finalizado), falta de comprovação de propriedade, ausência de representação legal, desídia administrativa (5 anos sem solução das pendências) e risco à segurança operacional, levando a uma interdição total (regime 24h) baseada em risco presumido.
Disputa judicial e voos clandestinos
Um boletim de ocorrência foi registrado pelo atual proprietário da área após o acidente, apontando que os voos no local não são autorizados. Um representante do dono, que pediu anonimato, afirmou que o imóvel é alvo de disputa de posse na Justiça e que voos clandestinos ocorrem com frequência, mesmo sob interdição. "A pista foi cancelada pela Anac e o registro dela está suspenso, mas um grupo que permanece no local continuou operando e não permite a entrada do proprietário legal. Foram feitos registros de vários voos após o cancelamento da pista", disse.
Investigação e detalhes
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) e a Polícia Federal foram procurados, mas não se manifestaram até a última atualização. O casal era proprietário do Hospital São Lucas, em Redenção (PA), destino do voo. Roseli morreu no local; Éderson chegou a ser socorrido, mas sofreu parada cardiorrespiratória. O avião tinha Certificado de Verificação de Aeronavegabilidade (CVA) válido até 2027. Moradores registraram imagens dos destroços em meio à vegetação, área isolada pela PM para perícia.



