O Acre registrou 191 mortes violentas intencionais em 2025, conforme aponta o Anuário da Segurança Pública, produzido pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e divulgado nesta quinta-feira (23). O índice representa um aumento de 6,3% em relação a 2024, quando 179 pessoas foram mortas de maneira violenta no estado. O resultado interrompe uma sequência de três anos de redução e coloca o Acre entre as sete unidades da federação que registraram crescimento deste tipo de crime no país.
Conflitos entre facções como principal motivação
O estudo compreende os casos de mortes violentas intencionais (MVI) e também traz recortes como tipo de crime. Dentre as 191 MVIs ocorridas no ano passado, o Acre teve 175 casos de homicídio doloso. Conflitos entre facções criminosas são apontados como a principal motivação dos homicídios no estado, revela o levantamento.
Ainda segundo o estudo, com base em números repassados por forças policiais, secretarias de Segurança Pública e Ministério Público de todo o país, a taxa de assassinatos a cada 100 mil habitantes foi de 21,6. A taxa manteve o Acre na 15ª posição no ranking, mesma colocação da tabela anterior.
Cenário nacional e comparações
Além do Acre, também registraram aumento de mortes violentas intencionais Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima, Distrito Federal, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro. Somente os dois primeiros tiveram taxa proporcional mais alta que a média acreana. O estudo também ressaltou que 14 feminicídios ocorreram no território acreano em 2025, no que foi o ano mais letal desta década para mulheres.
Casos que repercutiram
Um dos homicídios que mais repercutiu no ano passado foi o do professor de dança e zumba Reginaldo Silva Corrêa, conhecido como Reggis, ocorrido em Epitaciolândia, interior do estado, em setembro. Após seis dias desaparecido, seu corpo foi encontrado já em outubro, dentro de uma cova rasa, em uma área de mata. O principal suspeito, Victor Oliveira da Silva, confessou o crime. Ele afirmou ter atraído o professor até sua residência, onde o matou, alegando desentendimento, e chegou a passar a noite com o corpo no quarto antes de enterrá-lo.
Outro caso que chamou atenção pela brutalidade foi o feminicídio de Ivanilde Souza da Silva, 42 anos, assassinada a golpes de tábua de cortar carne em agosto de 2025. O marido, Gerbeson do Nascimento Soares, de 26, é o principal suspeito. A vítima sofreu traumatismo craniano grave. Horas antes do assassinato, ela havia buscado o marido no hospital após ele ter sofrido uma overdose. Ela completaria 43 anos no dia seguinte ao crime. Após o feminicídio, ele fugiu, mas foi entregue à Polícia Civil na manhã seguinte pelo próprio pai e por seu tio.



