Estudo da USP revela adaptação do fígado a dietas ricas em proteína
Uma pesquisa conduzida pela Universidade de São Paulo (USP) e publicada na revista científica American Journal of Physiology-Endocrinology and Metabolism detalha os mecanismos pelos quais o organismo se adapta a dietas com alto teor de proteína e ausência de carboidratos. O estudo, realizado em camundongos, focou nas alterações hepáticas durante esse tipo de regime alimentar.
Os cientistas observaram que, inicialmente, a gliconeogênese — processo de produção de glicose a partir de precursores não carboidratos — é estimulada pelo hormônio glucagon. No entanto, com o tempo, o fígado desenvolve resistência a esse estímulo, e a regulação da gliconeogênese passa a ser controlada pela queda nos níveis de insulina. Essa adaptação permite que o organismo mantenha a homeostase da glicose mesmo na ausência de carboidratos na dieta.
O estudo abre novas perspectivas para o tratamento de doenças metabólicas, como diabetes e certos tipos de câncer, que podem se beneficiar da manipulação dessas vias metabólicas. Contudo, os pesquisadores ressaltam que os resultados ainda não foram testados em humanos, sendo necessários mais estudos clínicos para confirmar a aplicabilidade.
“Compreender como o fígado se adapta a dietas extremas é fundamental para desenvolver intervenções terapêuticas mais eficazes”, destacou um dos autores da pesquisa. A equipe da USP espera que os achados possam contribuir para avanços na área da endocrinologia e metabolismo.



