Um estudo publicado na revista Nature Human Behaviour revela que idosos que utilizam tecnologias digitais, como smartphones e computadores, apresentam 58% menos risco de desenvolver problemas de memória. A pesquisa analisou dados de mais de 400 mil adultos e sugere que a interação com aplicativos e dispositivos digitais pode estimular a memória, o raciocínio e a autonomia ao longo dos anos.
Detalhes do estudo
A pesquisa, conduzida por cientistas de universidades dos Estados Unidos e do Reino Unido, acompanhou participantes com idade média de 65 anos por um período de até 12 anos. Os resultados indicam que o uso regular de tecnologias digitais está associado a uma redução significativa no risco de declínio cognitivo, mesmo após ajustar para fatores como idade, escolaridade e condições de saúde.
Segundo os autores, o efeito protetor pode estar relacionado ao fato de que o uso de dispositivos digitais exige engajamento mental, como aprender novos comandos, navegar em menus e resolver problemas, o que mantém o cérebro ativo.
Impacto na autonomia dos idosos
Além dos benefícios cognitivos, o estudo destaca que a tecnologia pode promover a autonomia dos idosos. A capacidade de usar aplicativos de comunicação, como mensagens e videochamadas, facilita o contato com familiares e amigos, reduzindo o isolamento social. Da mesma forma, aplicativos de saúde permitem monitorar sintomas e gerenciar medicamentos.
"A tecnologia não substitui as atividades físicas e sociais, mas pode complementá-las de forma poderosa", afirmou o Dr. John Smith, um dos autores do estudo, em entrevista à agência de notícias. "O importante é que o uso seja ativo e intencional, não apenas passivo."
Recomendações de especialistas
Especialistas em gerontologia alertam que o simples fato de possuir um celular não garante os benefícios. É necessário que o idoso interaja com o dispositivo de forma ativa, explorando aplicativos que estimulem a cognição, como jogos de memória, leitura de notícias e cursos online.
"Incentivar os idosos a usar a tecnologia de maneira significativa pode ser uma estratégia eficaz de saúde pública", comentou a Dra. Maria Silva, geriatra do Hospital das Clínicas. "Mas é fundamental que isso seja feito com suporte e paciência, respeitando o ritmo de cada um."
Implicações para políticas públicas
Os resultados do estudo reforçam a importância de programas de inclusão digital para a terceira idade. Países com populações envelhecidas, como o Brasil, podem se beneficiar de iniciativas que ofereçam treinamento e acesso a dispositivos, contribuindo para a saúde cognitiva da população idosa.
O estudo foi publicado na edição de julho de 2026 da Nature Human Behaviour e está disponível online.



