Virginia Fonseca e Vini Jr. recorreram à soroterapia nos Estados Unidos após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, mas a prática, apesar de prometer energia, imunidade reforçada e rejuvenescimento, não tem respaldo científico para pessoas saudáveis, alertam especialistas e entidades médicas.
O que é a soroterapia e quando se justifica
A soroterapia consiste na infusão de líquidos, medicamentos, vitaminas e minerais diretamente na corrente sanguínea, driblando o sistema digestivo. Na medicina, tem indicações restritas: doenças que comprometem a absorção de nutrientes, como doença de Crohn e retocolite ulcerativa, cirurgias intestinais, desidratação grave e deficiências confirmadas por exames.
O reumatologista Adérito Cruz, conselheiro do Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal, afirma: "Não faz sentido injetar na veia aquilo que o corpo absorveria sozinho por via oral. A indicação só existe quando a incapacidade de absorção está comprovada."
Promessas exageradas e riscos reais
A ideia de que mais vitaminas é sempre melhor não se sustenta. Nutrientes em excesso podem sobrecarregar fígado e rins, causar alterações neurológicas, náuseas e vômitos. Cada punção intravenosa traz riscos de infecção, inflamação da veia, reações alérgicas e complicações pelo manuseio inadequado.
Clayton Macedo, endocrinologista do Hospital Israelita Albert Einstein e diretor da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), ressalta que a sensação de bem-estar após a aplicação pode ser efeito placebo ou de substâncias não declaradas, como corticoides ou estimulantes. "O que a ciência mostra é que o risco tende a superar o benefício. Qualquer medicamento precisa ter indicação clínica, prescrição adequada e administração segura."
Consenso entre entidades reguladoras
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) declarou não haver evidência de que a soroterapia seja segura ou eficaz para melhorar a saúde, prevenir doenças ou elevar o bem-estar de pessoas saudáveis. A Associação Brasileira de Nutrologia (Abran) afirma que a soroterapia da beleza não pertence ao rol de procedimentos da especialidade.
Em nota conjunta, SBEM, Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) e Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso) reforçam que produtos injetáveis só devem ser prescritos com base em evidência científica. O Conselho Federal de Biomedicina esclareceu que o procedimento escapa às competências do biomédico.
Como avaliar ofertas de soroterapia
Diante de promessas milagrosas sem estudos clínicos, a orientação é desconfiar. Antes de aceitar qualquer infusão, é preciso verificar indicação médica individual, registro sanitário dos produtos e buscar profissional habilitado. O médico Adérito Cruz conclui: "O paciente precisa desconfiar de qualquer solução que prometa muitos benefícios ao mesmo tempo. Antes de topar, convém perguntar se existe comprovação científica de que aquilo funciona e se há real necessidade clínica."
Enquanto a ciência segue investigando o papel de vitaminas, o consenso é que alimentação equilibrada, atividade física, sono suficiente e acompanhamento médico continuam sendo as estratégias mais eficazes para preservar a saúde.



