Saudade como mecanismo de sobrevivência
A cardiologista Stephanie Rizk, em sua coluna no GLOBO, propõe uma reflexão inovadora sobre a saudade: ela não é apenas um sentimento, mas uma "tecnologia antiga de sobrevivência". Segundo a médica, a saudade nos conecta aos vínculos do passado, funcionando como uma memória afetiva que orienta nossas escolhas e nos dá coragem para enfrentar o presente.
Impactos no corpo e na mente
Rizk alerta que, embora a saudade tenha um papel positivo, ela pode impactar o sistema imunológico e o sistema cardiovascular. A sensação de falta, quando intensa ou prolongada, desencadeia respostas fisiológicas semelhantes ao estresse, elevando a frequência cardíaca e alterando a pressão arterial. "É mal de amor, é dor que dói demais. Dói como um barco, que aos poucos descreve um arco e evita atracar no cais", escreve a colunista, citando a canção.
O remédio dos poetas
Para lidar com essa dor, poetas sugerem o canto como remédio. A música, especialmente a bossa nova, como no álbum 'Chega de saudade' de João Gilberto, é uma forma de transformar a saudade em arte. Rizk defende que não se deve extinguir a saudade, mas compreendê-la e transformá-la em algo produtivo. "A saudade não é para ser curada, mas para ser cantada", afirma a cardiologista.



