A Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) instaurou uma sindicância interna para apurar as circunstâncias da evasão do paciente Nilson Ferreira de Oliveira, de 72 anos, que conseguiu fugir do local após ser internado para tratamento de um acidente vascular cerebral (AVC). O caso ocorreu na tarde de segunda-feira (27) e Nilson foi localizado no fim da manhã de terça-feira (28), no bairro Heitor Rigon, a dez quilômetros de distância do hospital.
Fuga registrada por câmeras e comunicação à família
Um vídeo ao qual a EPTV, afiliada da TV Globo, teve acesso flagrou o momento em que uma funcionária da Santa Casa avisou a família de Nilson sobre o desaparecimento. Nas imagens, a funcionária, que não foi identificada, explicou o procedimento da instituição: "Abre o boletim de ocorrência, porque tem portaria, tem tudo, mas as catracas, se o paciente for esperto, o paciente foge. Então não tem como eles segurarem. Eles não têm como prender o paciente." A funcionária ainda afirmou que, como o paciente estava consciente, ele conseguiu fugir.
Reinternação e medidas de segurança
Segundo a Santa Casa, o paciente voltou a ser internado no local para continuidade do tratamento. A instituição também informou que todas as portarias contam com segurança e controle de acesso. A sindicância interna deverá apurar se houve falha nos protocolos de vigilância e se alguma medida poderia ter evitado a evasão. Nilson foi reconhecido por um eletricista que acompanhou a reportagem da EPTV sobre o desaparecimento dele.
Histórico de casos semelhantes
Esta não é a primeira vez que pacientes conseguem fugir da Santa Casa de Ribeirão Preto. Em situações anteriores, familiares relataram angústia pela falta de informações e demora na localização. O caso de Nilson, no entanto, chama a atenção pela rapidez com que foi encontrado – menos de 24 horas após o sumiço. A distância de dez quilômetros percorrida pelo paciente, que estava em tratamento de AVC, levanta questionamentos sobre a segurança e o monitoramento de pacientes internados.
Posição da Santa Casa
A Santa Casa reiterou que todos os protocolos de segurança são seguidos e que a sindicância interna trará esclarecimentos. "Não temos como prender os pacientes, mas estamos sempre atentos para garantir a integridade deles", declarou um porta-voz da instituição, que não teve o nome divulgado. O hospital reforça que o controle de acesso é feito por catracas e seguranças, mas pacientes conscientes e decididos podem eventualmente burlar o sistema.
A situação expõe um dilema enfrentado por hospitais em todo o país: como equilibrar a liberdade dos pacientes com a necessidade de mantê-los seguros, especialmente quando estão em tratamento de condições graves como o AVC. A sindicância deverá apresentar um relatório nos próximos dias, apontando possíveis melhorias nos procedimentos.



