O acúmulo de dióxido de carbono na atmosfera está alterando a química do sangue humano há pelo menos duas décadas, revela um estudo conduzido por pesquisadores australianos. A pesquisa, baseada em dados de saúde dos Estados Unidos, mostra que os níveis de bicarbonato sérico subiram 7% nos últimos 20 anos, enquanto os de cálcio e fósforo diminuíram. Crianças e adolescentes são os mais afetados por essas mudanças.
O que o estudo descobriu
O estudo analisou amostras de sangue de milhares de indivíduos ao longo de duas décadas e correlacionou as alterações com o aumento do CO₂ atmosférico. O bicarbonato sérico, um marcador importante do equilíbrio ácido-base do organismo, apresentou elevação consistente. Já os níveis de cálcio e fósforo, essenciais para a saúde óssea e metabólica, caíram significativamente.
Vulnerabilidade infantil
As crianças e adolescentes mostraram-se mais vulneráveis às alterações, possivelmente devido ao seu metabolismo mais acelerado e ao desenvolvimento contínuo. Os pesquisadores destacam que essas mudanças podem ter implicações para a saúde a longo prazo, incluindo maior risco de doenças ósseas e metabólicas.
Necessidade de políticas públicas
Os autores do estudo enfatizam a urgência de monitoramento contínuo e de políticas públicas para mitigar os efeitos das mudanças climáticas na saúde humana. "As alterações no sangue acompanham o aumento do CO₂, o que reforça a necessidade de ações globais para reduzir as emissões", afirmam os pesquisadores. O estudo serve como um alerta para que governos e instituições de saúde considerem esses efeitos invisíveis, mas mensuráveis, do aquecimento global.



