Juíza alerta: saúde mental de crianças e adolescentes exige atenção urgente
Saúde mental de crianças e adolescentes exige atenção urgente

A 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) nesta quinta-feira, 23, revelou que 34,2% das ocorrências de produção, posse ou distribuição de material de abuso sexual infantil envolvendo crianças e adolescentes tiveram como autores pessoas entre 12 e 17 anos. É a primeira vez que o FBSP divulga estatísticas sobre esse tipo de ocorrência, que inclui crimes virtuais como sextorsão e vazamento de nudes.

Crescimento alarmante dos casos

Em 2025, o Brasil registrou 4.063 casos desse tipo, um crescimento de 25,5% em relação a 2024. As meninas foram as principais vítimas (84,2%), e a faixa etária predominante foi a adolescência (78,3%). São Paulo concentrou 28% dos casos, com 1.114 ocorrências. A internet é apontada como ambiente de risco, com jovens atuando tanto como vítimas quanto como autores.

Governo cria ECA Digital

Diante desse cenário, o governo federal criou o ECA Digital, legislação que atualiza os mecanismos de proteção do Estatuto da Criança e do Adolescente para o ambiente digital, incluindo redes sociais, plataformas online e jogos eletrônicos. A discussão ganhou força com o vídeo do influenciador Felca, que denunciou a monetização de conteúdo de exploração infantil.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Especialistas alertam para subnotificação

Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, afirma: “Historicamente, muitos pais olham para os filhos que estão atrás do computador achando que eles estão protegidos, mas eles estão supervulneráveis a ser vítimas ou autores de crimes desse tipo.” Ela destaca que 14% das vítimas têm entre 9 e 11 anos, e somando com a faixa de 12 a 13 anos, chega a 40%. A pesquisadora ressalta que a SaferNet aponta para pelo menos 60 mil casos de produção ou distribuição de material de abuso sexual infantil na internet no Brasil, muito acima dos 4 mil registros criminais do Anuário.

Bullying e cyberbullying crescem mais de 60%

O Anuário também identificou crescimento de 68,2% nos casos de bullying (de 2.736 para 4.549) e 61,4% no cyberbullying (de 425 para 677), com maior prevalência entre 11 e 15 anos. Ao todo, foram 5.226 ocorrências, um aumento de 67,3% ante 2024. Samira Bueno afirma: “Bullying e cyberbullying são leis que pegaram e que a gente está vendo esse crescimento desses registros criminais.”

Ponderação sobre os dados

Cauê Martins, coordenador de Infância e Juventude do Fórum, pondera que o crescimento deve ser interpretado com cautela, pois os registros policiais captam apenas uma fração dos episódios. Ele cita a Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024), do IBGE, que aponta que quatro em cada dez estudantes de 13 a 17 anos afirmaram ter sofrido bullying no ambiente escolar. “A comparação entre essas duas fontes evidencia que os registros policiais captam apenas uma fração dos episódios efetivamente vivenciados por crianças e adolescentes”, diz trecho da análise de Martins no Anuário.

Casos graves extravasam o ambiente escolar

Na visão dos pesquisadores, os casos que chegam à polícia são os mais graves, que a escola não consegue resolver. Samira afirma: “O que a gente tem visto é que esse crescimento se dá, em grande medida, por aqueles casos que a escola não consegue solucionar ou que são significativamente mais graves.”

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar