Retatrutida: perda de até 22,6% do peso em estudo da Eli Lilly
Retatrutida: perda de até 22,6% do peso em estudo

A farmacêutica americana Eli Lilly divulgou resultados promissores de dois estudos de Fase 3 com a retatrutida, um medicamento experimental para obesidade. Pacientes com obesidade grave e doença cardiovascular perderam até 22,6% do peso corporal em 80 semanas de tratamento, conforme dados apresentados nesta semana.

Resultados dos estudos TRIUMPH-2 e TRIUMPH-3

O estudo TRIUMPH-2 testou a retatrutida em adultos com diabetes tipo 2 e obesidade ou sobrepeso, um grupo que tradicionalmente tem mais dificuldade para perder peso. Foram avaliadas três doses do medicamento. Na dose mais alta, de 12 mg, os pacientes perderam em média 20,8% do peso corporal em 80 semanas, o equivalente a cerca de 22,5 kg. Além disso, houve queda de até 1,6 ponto percentual na hemoglobina glicada (A1C), indicando melhor controle do diabetes.

Já o estudo TRIUMPH-3 focou em pessoas com obesidade grave que já apresentam alguma doença cardiovascular, com ou sem diabetes. Nesse grupo mais delicado, a perda de peso chegou a 22,6% — até 25,3 kg em 80 semanas. Esse é o melhor resultado entre os cinco estudos de Fase 3 já concluídos com a retatrutida, segundo a Eli Lilly.

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Mecanismo de ação diferenciado

A retatrutida pertence à mesma classe de medicamentos que Ozempic, Wegovy e Mounjaro, mas atua em um mecanismo mais amplo. Enquanto a semaglutida age sobre um único hormônio (GLP-1) e a tirzepatida combina ação sobre dois receptores (GLP-1 e GIP), a retatrutida é a primeira a agir sobre três receptores hormonais simultaneamente: GLP-1, GIP e glucagon. Os dois primeiros são liberados pelo intestino após as refeições e sinalizam saciedade ao cérebro, além de auxiliar o pâncreas no controle da insulina. O glucagon, por sua vez, estimula o corpo a gastar mais energia, mesmo em repouso. Essa ação tripla visa proporcionar perda de peso mais acentuada com benefícios metabólicos adicionais, hipótese que os estudos de Fase 3 vêm reforçando.

Cronograma e disponibilidade

Com base nesses dados, a Eli Lilly informou que submeterá à FDA (agência regulatória dos Estados Unidos) um pedido de licença para comercializar a retatrutida no primeiro trimestre de 2027. A empresa aguarda a conclusão do conjunto completo de estudos para solicitar o registro. Posteriormente, se aprovado, o pedido será estendido a outros países, incluindo o Brasil.

Enquanto o processo regulatório segue, a retatrutida já circula ilegalmente no Brasil. A substância não possui registro sanitário em nenhum país, e a única forma legal de acesso é por meio de estudos clínicos. No entanto, canetas anunciadas como retatrutida são vendidas em sites e redes sociais, com apreensões crescentes na fronteira com o Paraguai. Somente nos primeiros três meses de 2026, a Receita Federal e a Anvisa retiveram mais de R$ 11 milhões em produtos na região de Foz do Iguaçu, valor superior ao total apreendido em 2025. A Anvisa alerta que esses produtos são falsificados e representam risco à saúde, além de configurar crime.

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