A reposição hormonal é um tratamento que vem ganhando cada vez mais adeptos, mas especialistas alertam que a decisão deve ser baseada em critérios clínicos rigorosos e acompanhamento médico constante. A terapia, indicada principalmente para aliviar os sintomas da menopausa, como ondas de calor, suores noturnos e alterações de humor, também pode trazer benefícios para a saúde óssea e cardiovascular.
Indicações e contraindicações
Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a reposição hormonal é recomendada para mulheres com sintomas moderados a graves da menopausa, especialmente quando os sintomas afetam a qualidade de vida. No entanto, não é indicada para todas as pacientes. Mulheres com histórico de câncer de mama, doenças cardiovasculares ou trombose devem evitar o tratamento ou optar por alternativas.
Avaliação individualizada
O endocrinologista Carlos Alberto da Silva explica que cada caso deve ser avaliado individualmente. "Não existe uma receita pronta. É preciso considerar a idade da paciente, o tempo desde a última menstruação, os sintomas apresentados e os fatores de risco", afirma. A terapia pode ser feita com hormônios sintéticos ou bioidênticos, mas a segurança e a eficácia dependem do tipo e da dose utilizados.
Riscos e benefícios
Estudos mostram que a reposição hormonal pode aumentar o risco de câncer de mama em uso prolongado, especialmente com estrogênio combinado com progesterona. Por outro lado, reduz o risco de osteoporose e fraturas. "É uma balança que precisa ser avaliada com cuidado. Os benefícios podem superar os riscos em muitos casos, mas a decisão deve ser compartilhada entre médico e paciente", destaca a ginecologista Maria Fernanda Oliveira.
Alternativas e cuidados
Para mulheres que não podem ou não desejam fazer reposição hormonal, existem opções não hormonais, como antidepressivos em baixas doses, fitoterápicos e mudanças no estilo de vida. A prática de exercícios físicos, alimentação saudável e técnicas de relaxamento também ajudam a controlar os sintomas.
A SBEM recomenda que a reposição hormonal seja feita pelo menor tempo possível e na menor dose eficaz. O acompanhamento médico regular é essencial para monitorar os efeitos e ajustar o tratamento conforme necessário. "A automedicação é perigosa. Hormônios não são vitaminas; são substâncias potentes que podem causar sérios danos se usados de forma inadequada", alerta o Dr. Silva.



