O técnico francês Sébastien Migné, que comanda a seleção do Haiti desde 2024, nunca pisou no país caribenho. A razão é a grave crise de segurança provocada por gangues armadas, que tornou o ambiente hostil e perigoso. Mesmo assim, Migné conseguiu um feito histórico: levar o Haiti de volta à Copa do Mundo após 52 anos de ausência.
Comando à distância
Migné, de 48 anos, foi contratado pela Federação Haitiana de Futebol em 2024, mas jamais pôde visitar o país. Ele comanda a equipe remotamente, com reuniões por videoconferência e contato constante com os jogadores, muitos deles atuando no exterior. A seleção haitiana não joga em seu território desde 2021, devido à instabilidade. Todas as partidas são realizadas em campos neutros, geralmente nos Estados Unidos ou em outras nações da região.
Classificação histórica
Sob o comando de Migné, o Haiti surpreendeu ao se classificar para a Copa do Mundo de 2026, que será sediada por Estados Unidos, Canadá e México. A última participação haitiana em um Mundial havia sido em 1974, na Alemanha Ocidental. A classificação veio após uma campanha sólida nas eliminatórias da Concacaf, com vitórias importantes sobre seleções tradicionais.
Diáspora como alicerce
Para montar o time, Migné conta com jogadores da diáspora haitiana, que atuam em ligas da Europa e América do Norte. Muitos deles nunca moraram no Haiti, mas mantêm vínculo com o país de origem. O técnico destaca a união do grupo e a vontade de representar a nação. "Muitos adorariam estar no nosso lugar", disse Migné antes de um amistoso contra o Brasil.
Desafios e superação
A falta de estrutura no Haiti é um obstáculo constante. A federação enfrenta dificuldades financeiras e logísticas, mas a classificação para a Copa trouxe esperança. Migné afirma que o futebol pode ser uma ferramenta de união para o país. "Queremos dar alegria a um povo que sofre há tanto tempo", declarou o treinador.
A seleção haitiana segue se preparando para o Mundial, com jogos amistosos e treinamentos nos Estados Unidos. O técnico francês espera que, no futuro, a segurança melhore e ele possa finalmente conhecer o Haiti pessoalmente.



