Pimentões: diferenças, benefícios e como escolher na receita
Pimentões: diferenças, benefícios e como escolher

Os pimentões são versáteis na culinária brasileira, mas poucos sabem que as cores — verde, vermelho e amarelo — representam estágios diferentes de maturação do mesmo fruto, com impactos diretos no sabor, textura e valor nutricional. Segundo a nutricionista Fernanda Sobral, do Rio de Janeiro, “o pimentão verde é colhido antes da maturação completa, por isso tem sabor mais amargo e textura mais firme, enquanto o vermelho e o amarelo ficam mais doces e suculentos à medida que amadurecem”. Essa diferença é essencial na hora de escolher o ingrediente ideal para cada prato.

O que muda entre as cores

O pimentão verde é o mais comum e acessível, com casca brilhante e polpa crocante. Ele contém menos açúcar natural, o que explica o amargor característico. Já o vermelho é o mais maduro, permanecendo mais tempo no pé, e apresenta maior concentração de betacaroteno e vitamina C. Um estudo da Embrapa indica que o pimentão vermelho pode ter até 2 vezes mais vitamina C do que o verde. O amarelo e o laranja ficam em um estágio intermediário, com doçura equilibrada e menor acidez.

Além do sabor, a cor influencia a quantidade de antioxidantes. O vermelho é rico em licopeno, pigmento associado à prevenção de doenças cardiovasculares. O amarelo e o laranja possuem luteína e zeaxantina, benéficas para a saúde ocular. O verde, por sua vez, é fonte de clorofila e fibras, ajudando na digestão. Essa variedade permite incluir diferentes nutrientes na dieta simplesmente alternando as cores nas refeições.

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Benefícios para a saúde

O consumo regular de pimentões está ligado à melhora da imunidade, graças à alta concentração de vitamina C e vitamina A. Uma unidade média de pimentão vermelho fornece cerca de 190 mg de vitamina C, superando a laranja. Esses nutrientes atuam como antioxidantes, combatendo os radicais livres e reduzindo a inflamação. Além disso, os pimentões são pobres em calorias — aproximadamente 31 kcal por 100 gramas — e ricos em água, o que contribui para a hidratação e a saciedade.

Estudos recentes sugerem que a capsaicina, presente em pequenas quantidades nos pimentões, pode acelerar o metabolismo e auxiliar no controle de peso. No entanto, a nutricionista Fernanda Sobral ressalta que “os benefícios são potencializados quando os pimentões são consumidos com fontes de gordura saudável, como azeite, pois algumas vitaminas são lipossolúveis”. Portanto, refogar com azeite ou adicionar em saladas com abacate pode aumentar a absorção de nutrientes.

Qual escolher em cada receita

A escolha do pimentão deve considerar a intensidade do sabor e a textura desejada. Para pratos que exigem cocção rápida, como refogados e salteados, o verde é ideal, pois mantém a firmeza e não desmancha. Já para assados, grelhados ou recheados, o vermelho e o amarelo são melhores, pois adocicam e ficam macios. Em saladas cruas, o amarelo e o laranja oferecem um toque adocicado e crocante, enquanto o verde dá um contraste levemente amargo.

No preparo de molhos e sopas, a preferência é pelo vermelho, que confere cor vibrante e sabor adocicado natural, reduzindo a necessidade de açúcar. Para churrascos e espetinhos, a mistura de cores além de embelezar o prato, proporciona diferentes texturas e sabores. Uma dica prática: se a receita pede pimentão verde e você só tem vermelho, o resultado será mais doce — ajuste os temperos para equilibrar.

Como armazenar e conservar

Para preservar a textura e os nutrientes, os pimentões devem ser armazenados na geladeira, em saco plástico perfurado, por até duas semanas. Evite lavar antes de guardar, pois a umidade acelera a deterioração. Se preferir, pode congelar em tiras ou cubos, após branquear por 2 minutos, mantendo a qualidade por até 6 meses. Essa técnica é prática para quem deseja ter o ingrediente sempre à mão.

Outra opção é assar os pimentões e armazená-los em conserva com azeite e ervas, o que realça o sabor e prolonga a validade. Essa é uma forma de aproveitar pimentões maduros que estejam começando a enrugar. No entanto, a nutricionista alerta que a conserva pode conter alto teor de sódio, devendo ser consumida com moderação por hipertensos.

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Pimentões na culinária brasileira

No Brasil, os pimentões são ingredientes-chave em pratos como moqueca, feijoada, vatapá e saladas de maionese. A versatilidade permite usá-los como base de refogados, recheios de empadas e até como recipiente comestível para recheios vegetarianos. A produção nacional é expressiva, com destaque para os estados de São Paulo, Minas Gerais e Goiás, que juntos respondem por cerca de 70% da oferta no mercado interno, segundo dados da Conab.

Apesar de serem populares, muitas pessoas descartam as sementes e o miolo branco, que concentram sabor amargo. Para quem prefere um paladar mais suave, recomenda-se retirar essas partes. Por outro lado, as sementes podem ser torradas e usadas como tempero, reduzindo o desperdício. Assim, incorporar pimentões de cores variadas na rotina alimentar é uma estratégia saborosa e nutritiva, que atende desde receitas simples do dia a dia até preparações mais sofisticadas.