Quase metade dos brasileiros (49%) admite já ter dado tapas em crianças como forma de 'educar', revela pesquisa do Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis) em parceria com a Quaest. O levantamento também aponta que 62% dos entrevistados já gritaram com os filhos e 65% afirmam ter sofrido agressões físicas na própria infância.
Prática persiste apesar de lei
A Lei da Palmada (Lei 13.010/2014) proíbe castigos físicos e tratamentos cruéis ou degradantes contra crianças e adolescentes. No entanto, a pesquisa indica que a prática ainda é comum no país. Para especialistas, o uso de palmadas e gritos como método disciplinar traz consequências negativas para o desenvolvimento infantil, tanto no presente quanto no futuro.
Segundo a psicóloga e presidente do Infinis, Maria de Fátima, 'a palmada não educa, apenas ensina a criança a ter medo e a reproduzir a violência'. Ela ressalta que 'os impactos incluem problemas emocionais, dificuldades de aprendizagem e comportamentos agressivos na vida adulta'.
Dados da pesquisa
O estudo entrevistou 2.000 pessoas em todo o Brasil entre os dias 10 e 14 de julho de 2026. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Dos entrevistados, 49% afirmaram já ter dado tapas em crianças, 62% gritaram com os filhos e 65% sofreram agressões físicas na infância.
Além disso, 72% dos participantes acreditam que a palmada é um método aceitável de disciplina, embora a lei a proíba. Para a pedagoga Ana Lúcia, da Universidade de São Paulo, 'a desinformação sobre os efeitos negativos e a cultura de violência contribuem para a perpetuação dessa prática'.
Consequências para o desenvolvimento
Estudos mostram que castigos físicos estão associados a maior agressividade, ansiedade, depressão e baixa autoestima na infância. A longo prazo, podem levar a problemas de relacionamento e dificuldades de regulação emocional. 'A palmada ativa as mesmas áreas cerebrais do trauma, prejudicando a capacidade de aprender e de confiar nos adultos', explica o neurocientista Carlos Alberto.
Alternativas como diálogo, estabelecimento de limites claros e consequências lógicas são recomendadas por especialistas. 'Educar sem violência é possível e mais eficaz', conclui Maria de Fátima.



