Paciente obeso e acamado aguarda atendimento médico em Cuiabá
Paciente obeso acamado espera atendimento em Cuiabá

Há cerca de 20 dias, o mecânico Renato Jesus Pinto, de 55 anos, encontra-se acamado em uma oficina desativada localizada no Centro de Cuiabá, aguardando atendimento médico especializado. Com mais de 200 quilos e impossibilitado de se levantar sozinho, ele depende da assistência de amigos e vizinhos para se alimentar e realizar atividades básicas do dia a dia.

Resposta da Prefeitura

A Prefeitura de Cuiabá informou, por meio de nota, que uma equipe será enviada ao local para avaliar a situação de Renato. A administração municipal afirmou que ele será acompanhado pela Atenção Primária e pela rede hospitalar. Já a Prefeitura de Várzea Grande declarou que o caso não foi atendido pelo programa Melhor em Casa e que a demanda foi encaminhada para a Atenção Primária. Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre um eventual atendimento ao paciente.

Relato do paciente

Segundo Renato, os problemas de saúde começaram após ele passar mal ao voltar do trabalho. Desde então, ele afirma ter procurado atendimento em unidades de saúde de Cuiabá e Várzea Grande, mas não conseguiu acesso ao tratamento necessário. "Tudo começou num dia que eu tava vindo do serviço e fiquei ruim, entendeu? Não consegui entrar para dentro de casa para trocar de roupa, nada disso. Lá na UPA do Cristo Rei, me deixaram três dias de plantão porque eu tava mal vestido e não tava cheirando legal", relatou o mecânico.

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Condições de vida

O espaço onde Renato está foi cedido por um amigo. Em um quarto de pouco mais de quatro metros quadrados, ele passa os dias sem conseguir sair da cama. Sem mobilidade, também não consegue cuidar do local onde vive. Os moradores da região levam café da manhã, almoço e outros itens básicos, mas afirmam que a principal necessidade é garantir atendimento especializado para o mecânico. "Hoje ele está com mais de 230 quilos e não consegue se locomover nem com a muleta. A gente ajuda como pode, levando comida, mas ele precisa de atendimento e de um local adequado para fazer tratamento", disse o vizinho Danilo Amorim.

Agravamento da saúde

A situação de saúde de Renato tem se agravado. Recentemente, ele foi diagnosticado com trombose nas pernas. Os medicamentos usados no tratamento foram comprados com a ajuda de amigos. Ele afirma que já recebeu atendimento médico no local, passou por exames e foi acompanhado por uma assistente social. Apesar disso, diz que continua sem acesso a uma unidade capaz de atender suas necessidades. Segundo ele, ao procurar atendimento, é informado de que não há estrutura adequada para recebê-lo, devido ao peso e às limitações de mobilidade. Ele afirma que essas condições dificultam o transporte e o atendimento hospitalar. "Médico vem, só olha e fala para mim: você vai ter que chamar o Samu. O Samu me leva para a UPA, a UPA faz o atendimento e depois eu volto para cá. E fica sempre nisso", contou Renato.

Além da trombose, Renato já apresenta ferimentos causados pelo longo período em que permanece no local, sem sair da cama.

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