Uma semana após realizar o sonho de casar depois de 10 anos de união estável, Maria Josiane Silva da Cruz, de 42 anos, faleceu no dia 4 de junho. A cerimônia ocorreu no dia 27 de maio, na capela da Fundação Hospital Estadual do Acre (Fundhacre), em Rio Branco, onde ela estava internada. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre) ao g1.
Em uma rede social, um dos filhos de Maria Josiane comunicou o falecimento ao comentar uma postagem sobre a cerimônia: “Deus a levou para um lugar melhor. Deus abençoe a vida de cada um que participou deste momento”. Natural de Guajará, no Amazonas, Maria veio com o companheiro Cleuciano Ferreira da Silva, de 40 anos, para a capital acreana há cerca de seis meses para iniciar o tratamento oncológico.
O desejo do casamento
Segundo Cleuciano, o desejo de casar já existia há muito tempo, mas nunca havia sido concretizado por falta de oportunidade. A decisão foi tomada após uma conversa entre o casal, motivada pela vontade de Maria participar plenamente das atividades da igreja que frequentavam. “Ela chegou para mim e falou: ‘Meu amor, a gente precisa casar’. Ela queria contar o testemunho dela na igreja e participar da Santa Ceia, mas não éramos casados. Foi aí que tomei a decisão”, relatou.
Organização da cerimônia
Após comunicarem o desejo à equipe de apoio e à psicóloga responsável pelo acompanhamento de Maria, a cerimônia foi organizada rapidamente. Envolveu profissionais da Unidade de Alta Complexidade em Oncologia (Unacon) e integrantes da Casa de Apoio Amigos do Peito, que deram suporte jurídico para a emissão dos documentos necessários ao casamento civil. “A associação ajudou bastante, principalmente a psicóloga. Também teve ajuda na questão jurídica, porque a gente precisava da segunda via de documentos. O pessoal correu atrás e conseguiu resolver tudo. Foi um desejo que ela queria realizar. Em 24 horas resolveram a situação”, explicou Cleuciano.
Acompanhada por profissionais da unidade de saúde, Maria percorreu os corredores do hospital até encontrar seu amado. Mesmo debilitada, o sorriso em seu rosto mostrava a alegria e emoção por viver um momento sonhado há dez anos. “Foi muito emocionante. Era um sonho dela e também meu. Foi realizado”, complementou ele.
Fé e esperança
Cleuciano acompanhou o tratamento da esposa desde o diagnóstico. Junto a ela há mais de 20 dias na emergência do Unacon, afirmou que a cerimônia representou um momento de esperança em meio ao tratamento. “Eu creio que Deus pode fazer todas as coisas que estão ao alcance dele. Esse casamento foi uma maravilha para nós”, declarou.
Sem a presença dos familiares, devido à distância e às dificuldades financeiras, a cerimônia ocorreu de forma simples, apenas com a participação do casal e o apoio da equipe hospitalar. Mesmo diante da delicada situação de saúde de Maria, Cleuciano disse que o casamento trouxe conforto emocional. “Foi o sonho dela sendo realizado”, concluiu.



