A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgaram dados preocupantes: 13,5 milhões de bebês em todo o mundo ainda não receberam nenhuma dose de vacina em 2025. Apesar de uma leve melhora na cobertura vacinal global em relação a 2024, os números permanecem abaixo dos níveis pré-pandemia de 2019.
Cobertura global da DTP ainda abaixo de 2019
A vacina tríplice bacteriana (DTP), que protege contra difteria, tétano e coqueluche, é um indicador-chave. Em 2025, a cobertura global da terceira dose (DTP3) subiu para 84%, ante 83% em 2024, mas ainda distante dos 86% registrados em 2019. Já a primeira dose (DTP1) alcançou 89%, contra 88% no ano anterior, mas também abaixo dos 90% de 2019.
“A recuperação é lenta e desigual. Enquanto alguns países avançam, outros continuam com lacunas perigosas”, afirmou a OMS em comunicado.
Américas e Brasil superam índices pré-pandemia
Na contramão da média global, as Américas e o Brasil apresentaram recuperação mais acentuada. O Brasil registrou 98% de cobertura para a primeira dose da DTP, superando os 95% de 2019. O número de crianças “zero-dose” (sem nenhuma vacina) caiu para 50 mil no país, uma redução significativa.
“Os esforços de vacinação em escolas e a busca ativa de não vacinados foram cruciais para esse resultado”, destacou o Ministério da Saúde brasileiro.
HPV: cobertura avança no Brasil
A vacina contra o HPV também apresentou avanços. A cobertura global da primeira dose entre meninas de 9 a 14 anos subiu para 27%, mas o Brasil alcançou 86%, um dos maiores índices do mundo. “A vacinação nas escolas e a integração com a atenção básica explicam esse sucesso”, avaliou o Unicef.
Apesar dos progressos, a OMS alerta que 13,5 milhões de bebês ainda estão desprotegidos, concentrados principalmente na África e no Sudeste Asiático. A hesitação vacinal e o abandono de esquemas vacinais continuam sendo desafios globais.



