Nutricionista que lutou contra homem mudou para SP para expandir carreira
Nutricionista que lutou contra homem mudou para SP

Nutricionista que lutou contra homem mudou para SP para expandir carreira

Uma boa aluna e uma boa filha. É assim que Jéssica Soares, nutricionista cearense vítima de uma tentativa de estupro por um homem que invadiu seu apartamento na cidade de Barueri, Grande São Paulo, se define. Em entrevista exclusiva, ela comentou sobre sua infância em Fortaleza, a relação com a família e o trabalho de empoderamento que realiza com mulheres através da profissão. Jéssica mora em São Paulo há cerca de um ano e mudou para o estado após a morte de seu pai e para expandir a carreira.

Mudança para São Paulo

“Para ser bem sincera, mudei quando perdi meu pai. Para mim não fez mais tanto sentido continuar em Fortaleza, por mais que eu ame minha mãe, minha família, meus amigos. Estava doendo demais não ter a presença do meu pai”, disse. Na mesma época, um amigo também estava se mudando para São Paulo e a convidou para dividir projetos e trabalhos. Em Fortaleza, ela já tinha uma clínica e diversos pacientes, mas se desfez do espaço para recomeçar.

“Eu venho de uma família muito humilde, sempre estudei em colégio público, sempre fui uma boa aluna, uma boa filha. Quem me conhece no meu íntimo sabe que a minha história em Fortaleza foi sempre uma história de trabalhar muito cedo, de cuidar do meu pai desde muito cedo. Eu tenho uma história linda com o pai. Infelizmente ele não está mais aqui”, completou.

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Carreira e empoderamento feminino

Antes de atuar como nutricionista, Jéssica fez faculdade de Administração e trabalhava na área comercial. Em 2020, formou-se em nutrição e segue trabalhando na área em São Paulo. De acordo com a profissional, seu trabalho sempre foi voltado às mulheres, especialmente no fortalecimento da autoestima e empoderamento. “Aqui (em SP) minha vida é de reuniões, atendimentos. As minhas postagens, antes de acontecer essa loucura toda, eram voltadas para o público feminino, para as mulheres aprenderem a se posicionar, para serem mais empreendedoras. Eu não sabia que, além disso, as mulheres tinham que aprender a se defender fisicamente”, afirmou.

Artes marciais como defesa

Além do cuidado com a saúde, a nutricionista aprendeu artes marciais para se defender. Ela fez aulas de diferentes modalidades, como muay thai, boxe, jiu-jítsu e defesa pessoal, em Fortaleza. Uma das técnicas que aplicou contra seu agressor no momento do crime já havia sido treinada por ela. Ela precisou fazer elevação pélvica para jogar o criminoso para fora da cama e tentar pegar o celular. “Nós sabemos que estamos vulneráveis nesse mundo louco de homens doentes (...) Então, eu me encantei por isso (artes marciais), para me defender mesmo. Quando eu entrei, vi que além de me defender, era uma atividade física que ia muito de encontro com a minha vida na nutrição. Meu trabalho é fazer isso, eu tenho que estar bem”, comentou.

O crime e suas consequências

No dia 23 de maio, Jéssica sofreu uma tentativa de estupro dentro de seu apartamento em um prédio na área nobre de Barueri, com câmeras e reconhecimento facial. Um homem, identificado como Wellington de Oliveira Santos, invadiu o local e foi até o apartamento da vítima, cuja porta estava destrancada. Ela reagiu e lutou por cerca de 13 minutos com o criminoso, usando técnicas de artes marciais para se livrar do agressor. Wellington foi preso em flagrante.

Após o crime, Jéssica mudou-se para outra cidade e tem recebido o apoio da família, do namorado e de amigos. Ela ainda enfrenta dificuldades para dormir, pois foi neste momento de vulnerabilidade que tudo ocorreu. “Estou tomando medicação, o meu sono está muito afetado. Acho que o meu corpo entende que a hora de dormir é a hora que alguém vai chegar e fazer alguma coisa comigo. Mas estou me medicando e na terapia. A polícia pediu quebra de sigilo do celular dele para ver se ele falava com alguém, se foi mandado por alguém. Estamos esperando chegar tudo isso para dar continuidade às investigações. Mas estou em um lugar seguro”, relatou.

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Momentos de terror

As imagens de câmera de segurança mostram Wellington entrando no condomínio aproveitando a saída de um morador às 8h22. Segundo a vítima, o acesso ao local era controlado por reconhecimento facial. O homem passou pela catraca da recepção sem ser percebido pelos funcionários e seguiu para os elevadores. Pouco depois, ele apareceu chegando ao 18º andar, onde morava a nutricionista.

Naquela manhã, Jéssica estava sozinha no apartamento. O namorado havia saído por volta das 7h para participar de um evento escolar da filha. Como não tinha as chaves do imóvel e pretendia retornar depois, ele deixou a porta apenas encostada para não acordá-la. “Ele não tinha chave, saiu para um evento, e ia voltar. A gente pensa que está em segurança, a gente paga caro pela segurança, e realmente foi uma fatalidade o (ato de) deixar aberto. Eu deixava mesmo, muita gente deixa aberto no condomínio. Hoje em dia nunca mais, né?! Para subir no meu apartamento era uma burocracia, mas falhou muito a segurança”, relatou Jéssica.

Planos futuros

Neste fim de semana, a nutricionista viaja para Fortaleza para encontrar a família e amigos. Ela afirma que vai continuar morando em São Paulo, onde pretende expandir a carreira. Embora não esteja se sentindo 100% segura, Jéssica não quer desistir dos seus sonhos. “Amanhã vai ser aniversário de 'mainha'. Acho que esse vai ser o presente que ela mais queria: ter a filha viva. Viemos de mulheres fortes, por mais que eu fraqueje, por mais que esteja falando aqui e as coisas (lembranças) venham na minha cabeça. Só preciso tomar um banho de mar, me sentir segura. Aqui, infelizmente, eu ainda não tenho essa sensação, e acho que nunca mais vou ter”, concluiu.