NR-1: 74% das empresas têm baixa maturidade em riscos psicossociais
NR-1: 74% das empresas falham em riscos psicossociais

A nova Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que passou a incluir riscos psicossociais no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO), impõe desafios significativos para as empresas brasileiras. De acordo com uma pesquisa do Instituto Livre de Assédio em parceria com a Associação de Analistas Profissionais de Segurança e Administração (AAPSA), 74% das organizações ainda possuem maturidade baixa na gestão desses riscos. O estudo revela que os principais fatores de risco identificados são a sobrecarga de trabalho (28%), a falta de clareza de papéis (18%) e o assédio (15%).

Contexto da nova NR-1 e seus impactos

A NR-1, atualizada pelo Ministério do Trabalho e Previdência, agora exige que as empresas incluam em seus programas de gerenciamento de riscos ocupacionais fatores como estresse, assédio moral e sexual, discriminação e violência no trabalho. Isso representa uma mudança paradigmática, pois anteriormente o foco era exclusivamente em riscos físicos, químicos e biológicos. A pesquisa aponta que a maioria das empresas ainda carece de ferramentas adequadas para identificar, avaliar e controlar esses riscos psicossociais.

Dados da pesquisa: baixa maturidade e principais riscos

O levantamento, realizado com mais de 500 empresas de diversos setores, classificou a maturidade em gestão de riscos psicossociais em três níveis: baixo, médio e alto. Apenas 12% das organizações alcançaram o nível alto, enquanto 14% estão no nível médio. Os 74% restantes apresentam baixa maturidade, o que significa que não possuem processos estruturados para lidar com questões como assédio e sobrecarga. Entre os riscos mais citados, a sobrecarga de trabalho lidera com 28%, seguida pela falta de clareza de papéis (18%) e assédio (15%). Outros fatores incluem discriminação (10%), conflitos interpessoais (9%) e baixo apoio social (7%).

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Desafios para o RH e a necessidade de ferramentas

Para cumprir a NR-1, o setor de Recursos Humanos precisa desenvolver competências em psicologia organizacional e implementar ferramentas como pesquisas de clima, canais de denúncia anônimos e programas de prevenção ao assédio. Segundo a pesquisa, 65% das empresas ainda não possuem canais de denúncia efetivos, e 58% não realizam treinamentos periódicos sobre assédio e discriminação. O Instituto Livre de Assédio destaca que a falta de preparo pode gerar multas e ações trabalhistas, além de prejudicar a saúde mental dos colaboradores.

Impactos na produtividade e na saúde dos trabalhadores

A má gestão dos riscos psicossociais tem consequências diretas na produtividade e no bem-estar. Estima-se que o absenteísmo por transtornos mentais aumentou 30% nos últimos dois anos, segundo dados do Ministério da Previdência. A sobrecarga de trabalho, principal risco apontado, está associada a burnout, ansiedade e depressão. Especialistas recomendam que as empresas adotem uma abordagem integrada, combinando avaliações de risco com ações de promoção da saúde mental.

Próximos passos para adequação

A pesquisa sugere que as empresas invistam em capacitação de líderes, revisão de processos e criação de políticas claras contra assédio e discriminação. O Instituto Livre de Assédio oferece um guia prático para implementação da NR-1, que inclui etapas como mapeamento de riscos, definição de indicadores e treinamento de equipes. A adequação à norma é obrigatória e as fiscalizações devem começar a partir de 2025, com penalidades para quem não se adaptar.

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