A operadora Novamed deu início à construção de um hospital próprio no bairro Jardim América, em Goiânia, com previsão de entrega para 2027. A unidade contará com 40 leitos de alta complexidade, todos voltados para oncologia e hemodinâmica, especialidades que atendem pacientes com câncer e doenças cardiovasculares. O projeto nasce em um cenário de forte pressão sobre o sistema de saúde, causada pelo envelhecimento da população e pelo aumento das doenças crônicas no país.
Procedimentos de alta complexidade são aqueles que exigem tecnologia avançada, equipes multidisciplinares e estrutura hospitalar específica, como UTI, centro cirúrgico e equipamentos de imagem. No Brasil, a oferta desse tipo de serviço é concentrada em grandes centros urbanos, e a interiorização dessas estruturas é um dos principais desafios do setor.
Transição demográfica e o avanço das doenças crônicas
O Vigitel 2025, sistema de vigilância de fatores de risco para doenças crônicas, aponta que o número de adultos com diabetes cresceu 135% entre 2006 e 2024. A obesidade, por sua vez, aumentou 118% no mesmo período. Esses dois fatores estão diretamente ligados à necessidade de procedimentos de alta complexidade, como cirurgias oncológicas e intervenções cardiovasculares.
Paralelamente, projeções do IBGE indicam que, até 2030, o número de brasileiros com mais de 60 anos superará o de crianças de até 14 anos pela primeira vez. Essa inversão demográfica implica uma demanda crescente por leitos hospitalares especializados, consultas frequentes e acompanhamento contínuo de pacientes idosos, que costumam apresentar múltiplas comorbidades.
O levantamento reforça a tendência de crescimento da demanda por serviços que exigem internação prolongada e alta tecnologia. No caso do diabetes, a doença pode levar a complicações como insuficiência renal, amputações e problemas cardiovasculares, que frequentemente necessitam de hemodinâmica. Já a obesidade está associada a diversos tipos de câncer, ampliando a necessidade de serviços oncológicos.
Estrutura planejada para 10 mil atendimentos mensais
O projeto do novo hospital prevê 2.300 metros quadrados de área construída, dentro de um terreno de 5.700 metros quadrados. A estrutura foi pensada para integrar consultas, exames e internações. Com a nova unidade, a Novamed pretende ampliar a capacidade de atendimento para até 10 mil procedimentos por mês, um aumento expressivo em relação à operação atual.
Os leitos de alta complexidade serão destinados a cuidados intensivos e semi-intensivos, com equipamentos para monitoramento contínuo. A oncologia contará com infraestrutura para quimioterapia e cuidados paliativos, enquanto a hemodinâmica será equipada para procedimentos como cateterismo e angioplastia, essenciais no tratamento de infartos e outras doenças cardiovasculares.
Rede própria e redução da dependência de hospitais terceirizados
A Novamed já opera um Centro Clínico próprio em Goiânia. Com o novo hospital, a operadora espera fortalecer a rede de assistência na capital e na Região Metropolitana, oferecendo maior resolutividade aos beneficiários e reduzindo a necessidade de encaminhamentos para hospitais terceirizados. Essa mudança tende a agilizar o atendimento e a reduzir custos operacionais no longo prazo.
Segundo a administração da operadora, o investimento também visa preparar a estrutura para os desafios das próximas décadas, quando a demanda por cuidados de alta complexidade deve continuar crescendo. A integração entre o centro clínico e o hospital permitirá um fluxo mais organizado, do diagnóstico ao tratamento, sem que o paciente precise percorrer longas distâncias ou esperar por vagas em outras instituições.
Gestão regionalizada e impacto para a região
O hospital será dirigido pelo médico Dr. Júlio Ferro (CRM 8152). A gestão adota um modelo de administração regionalizada, com foco em agilidade operacional. “A saúde precisa ser acessível e eficiente”, afirma Ferro. O executivo destaca que a regionalização permite decisões mais rápidas e maior proximidade com as necessidades locais.
O empreendimento também deve ter impacto social relevante, com geração de empregos diretos e indiretos, além do aporte de infraestrutura hospitalar em uma região que acompanha o crescimento populacional de Goiânia. A responsabilidade técnica do hospital está sob o Dr. Júlio Eduardo Ferro, registro CRM 8152, e a operadora é registrada na ANS sob o número 424561.
A previsão de entrega em 2027 coloca o novo hospital como uma resposta antecipada à evolução demográfica de Goiás e do Brasil. Para os beneficiários da operadora, a unidade representa a perspectiva de um atendimento mais completo, sem depender de deslocamentos para outras cidades ou da disputa por vagas em hospitais públicos e privados superlotados.



