O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária do uso da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão, de caráter preventivo, foi tomada após o registro de reações adversas graves que podem estar associadas ao imunizante. A medida vigorará até que investigações mais aprofundadas determinem se os efeitos foram ou não causados pelo produto.
Números da vacinação
Desde janeiro, quando a vacina começou a ser aplicada no Sistema Único de Saúde (SUS), aproximadamente 501 mil pessoas foram imunizadas. A grande maioria dos vacinados é composta por profissionais de saúde da atenção básica. A vacina foi administrada em 417,4 mil profissionais de saúde, além de 83,6 mil pessoas com idades entre 15 e 49 anos residentes em Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG). Também receberam a dose moradores da região de Araguaína, no Tocantins, área que registrava alta incidência da doença.
Reações adversas e orientações
Ao todo, foram registrados 42 casos de reações severas, incluindo duas mortes que estão sob investigação. As vítimas fatais apresentaram sintomas compatíveis com dengue grave. O Ministério da Saúde e especialistas enfatizam que não há motivo para pânico, pois os eventos adversos suspeitos são extremamente raros. Aos que já receberam a vacina, a recomendação é monitorar sintomas incomuns nos 21 dias seguintes à aplicação.
“Em caso de sintomas como febre, dor abdominal intensa, vômitos persistentes, sangramentos, tontura, sonolência excessiva, sinais de desidratação ou piora do estado geral, deve-se procurar atendimento médico imediatamente”, alertou o ministério em nota oficial. A pasta também informou que as equipes de saúde “irão reforçar a vigilância de pacientes vacinados que apresentem sintomas de dengue, com atenção especial para o reconhecimento de sinais de alarme e de gravidade.”
Posicionamento de especialistas
A médica Isabella Ballalai, diretora da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), orienta que pessoas vacinadas que apresentarem sintomas de dengue, mesmo que leves, devem buscar avaliação médica. “Não é para correr para o posto só por ter sido vacinado, mas se você apresentar um quadro semelhante à dengue, mesmo sem gravidade, procure a emergência ou seu médico”, explicou. Ela elogiou a decisão do ministério: “É uma situação preocupante porque tivemos eventos adversos graves, apesar de raros, mas parabenizo o ministério pela decisão porque mostra que ninguém está brincando, ninguém coloca os outros em risco. Será investigado.”
Eficácia da vacina
O Ministério da Saúde destacou que a suspensão preventiva “não invalida a eficácia da vacina nem altera as evidências de proteção observadas até o momento. Quem já foi imunizado permanece protegido e a vigilância epidemiológica continua a acompanhar a população vacinada.” A investigação segue em andamento para esclarecer a relação entre as reações e o imunizante.



