Menino que ficou 9 anos em coma após queijo contaminado morre aos 13
Menino em coma 9 anos após queijo contaminado morre aos 13

Mattia Maestri, um menino italiano, morreu aos 13 anos após permanecer nove anos em coma, consequência de uma infecção grave por E. coli contraída aos quatro anos de idade. A contaminação ocorreu após ele consumir queijo produzido com leite cru, na região de Parma, na Itália. O caso, que ganhou repercussão nacional, resultou na condenação dos produtores do alimento e impulsionou campanhas de conscientização sobre os riscos do consumo de laticínios não pasteurizados.

O drama de Mattia Maestri

Em 2014, quando tinha apenas quatro anos, Mattia foi hospitalizado em estado gravíssimo após consumir um queijo fresco típico da região, feito com leite cru. A infecção por Escherichia coli (E. coli) evoluiu para a síndrome hemolítico-urêmica, uma complicação que ataca os rins e pode causar danos neurológicos severos. Desde então, o menino permaneceu em coma, dependendo de cuidados intensivos, até falecer no último domingo, conforme confirmou a família em comunicado.

Segundo informações do hospital onde Mattia estava internado, a bactéria encontrada no queijo era uma cepa particularmente agressiva, produtora da toxina Shiga. Essa toxina é responsável pelos sintomas mais graves, incluindo insuficiência renal aguda e comprometimento do sistema nervoso central, que levaram ao estado vegetativo do menino.

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Investigação e condenação dos produtores

As autoridades sanitárias italianas abriram uma investigação imediatamente após o caso vir a público. A análise laboratorial confirmou que o lote de queijo consumido pela família Maestri estava contaminado com a bactéria E. coli O157:H7. Os produtores, uma pequena empresa local, foram processados e condenados por homicídio culposo e lesões corporais graves, em um julgamento que se arrastou por anos. A sentença final, proferida em 2021, estabeleceu penas de prisão e multas significativas, além de indenização à família.

O caso também expôs falhas no sistema de controle de qualidade de alimentos não pasteurizados na Itália. A legislação europeia permite a venda de queijos de leite cru, desde que atendam a padrões rigorosos de higiene. No entanto, a fiscalização mostrou-se insuficiente, e o episódio levou a uma revisão das normas, com a exigência de testes mais frequentes e rigorosos para a detecção de patógenos.

Impacto e campanhas de conscientização

A morte de Mattia Maestri reacendeu o debate sobre a segurança do consumo de leite cru e derivados. Nos últimos anos, a família do menino, com o apoio de associações de defesa do consumidor, lançou a campanha "Queijo Seguro", que visa informar a população sobre os riscos de produtos não pasteurizados, especialmente para crianças, idosos e pessoas imunocomprometidas. A campanha já distribuiu materiais educativos em escolas e unidades de saúde, e pressiona por uma rotulagem mais clara nos produtos.

Segundo dados do Ministério da Saúde italiano, entre 2010 e 2020, foram registrados pelo menos 200 casos de infecção por E. coli relacionados ao consumo de queijos de leite cru, com 15 mortes. Embora o número seja relativamente baixo em relação ao total de consumidores, a gravidade dos casos, como o de Mattia, evidencia a necessidade de prevenção.

Em declaração à imprensa, a mãe de Mattia, Francesca Maestri, afirmou: "Perdemos nosso filho, mas não podemos permitir que outras famílias passem por isso. Queijo de leite cru pode ser saboroso, mas não vale uma vida. Exigimos que as autoridades reforcem a fiscalização e que os consumidores estejam cientes dos riscos."

Reações e homenagens

A notícia da morte de Mattia gerou comoção na Itália e no exterior. O prefeito de Parma, cidade onde a família reside, declarou luto oficial de três dias e determinou que bandeiras fossem hasteadas a meio mastro. Nas redes sociais, milhares de mensagens de solidariedade foram publicadas, com a hashtag #ForzaMattia, que acompanhou a luta do menino durante todos esses anos.

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Especialistas em segurança alimentar ouvidos pela imprensa italiana reforçam que a pasteurização é o método mais eficaz para eliminar bactérias como a E. coli, sem comprometer significativamente o valor nutricional do queijo. No entanto, reconhecem que a tradição italiana de queijos artesanais de leite cru é um patrimônio cultural, e a solução não é proibir, mas sim educar e regulamentar melhor.

O caso de Mattia Maestri permanecerá como um triste marco na luta por alimentos mais seguros, e sua história, embora dolorosa, serviu para salvar outras vidas.