Menino de 2 anos morre após receber superdose de medicação errada em SP
Menino de 2 anos morre após superdose de medicação errada

Um menino de dois anos morreu após receber uma superdose de medicamento errado em um hospital particular de Andradina, interior de São Paulo. O caso, ocorrido em maio de 2025, veio a público nesta semana com a denúncia do Ministério Público, que aponta negligência da técnica de enfermagem responsável pelo preparo da medicação. A primeira audiência de instrução está marcada para esta terça-feira (2), de forma virtual, na 1ª Vara de Andradina.

O erro na administração

José Rafael dos Santos Sailvano de Souza deu entrada no hospital na noite de 6 de maio de 2025 com quadro de bronquiolite. A médica prescreveu 100 mg de hidrocortisona por via intravenosa. No entanto, a técnica de enfermagem retirou da gaveta um frasco de succinilcolina, medicamento de uso restrito e potencialmente letal quando administrado indevidamente, e aplicou a dose sem conferir o rótulo corretamente.

Segundo a denúncia, a dose aplicada foi de 100 mg de succinilcolina, oito vezes superior à recomendada para crianças de dois anos, que varia entre 8 e 39 mg. A succinilcolina é um bloqueador neuromuscular que causa paralisia muscular imediata, incluindo os músculos respiratórios.

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Consequências imediatas

Pouco após a aplicação, a criança apresentou queda abrupta da saturação de oxigênio, vômito, bradicardia e parada cardiorrespiratória. A equipe médica realizou manobras de reanimação, mas o menino não resistiu e morreu no hospital.

Investigação e denúncia

O Ministério Público denunciou a técnica de enfermagem por homicídio culposo, sem intenção de matar, com aumento de pena por a vítima ser criança. A promotoria apontou falha sistêmica no armazenamento dos medicamentos: o frasco de succinilcolina estava na mesma gaveta da hidrocortisona, em ambiente de fácil acesso, apesar de ser de uso restrito. A profissional não conferiu o rótulo, assumiu que era o medicamento correto e só percebeu o erro após a administração.

Defesa da técnica

O advogado Anderson Alves de Oliveira, que representa a técnica, discorda da conclusão do MP. Ele argumenta que o ato isolado não seria suficiente para causar a morte, apontando supostas falhas no atendimento médico posterior, como atraso no diagnóstico e omissão de protocolos. A defesa afirma que há contradições nos depoimentos e confia na apuração judicial.

Relembre o caso

A técnica foi presa em flagrante após confessar o erro à polícia, mas liberada mediante pagamento de fiança. O hospital informou que afastou a profissional e colaborou com as investigações. A reportagem tenta novo contato com a unidade.

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