O avanço dos medicamentos injetáveis para perda de peso, como os análogos do hormônio GLP-1, está reconfigurando o mercado de cirurgia plástica no Brasil. Pacientes que passam por emagrecimento acelerado têm procurado cada vez mais procedimentos para corrigir flacidez, excesso de pele e perda de gordura facial.
Flacidez e o efeito Rosto de Ozempic
O fenômeno conhecido como "rosto de Ozempic" se tornou uma das principais queixas nos consultórios. Medicamentos como Ozempic e Wegovy promovem uma redução de peso rápida e significativa, muitas vezes superior a 10% do peso corporal em poucos meses. A pele, porém, não se adapta a essa velocidade, resultando em flacidez no abdômen, braços, coxas e contorno facial.
Esses medicamentos, desenvolvidos inicialmente para o tratamento do diabetes tipo 2, passaram a ser usados como aliados no combate à obesidade. Eles agem no cérebro, reduzindo a fome e aumentando a saciedade, o que leva a uma ingestão calórica menor. Por isso, o resultado costuma ser uma perda de peso mais rápida do que a registrada com dietas tradicionais. Cirurgiões plásticos relatam que cerca de 60% dos pacientes que usam esses medicamentos apresentam algum grau de flacidez após a perda de peso. O percentual é ainda maior entre pessoas com mais de 40 anos, quando a produção de colágeno diminui naturalmente, dificultando a retração da pele.
Quais cirurgias estão em alta
Entre os procedimentos com demanda crescente estão a abdominoplastia, para retirada da pele sobrando na barriga, e a lipoaspiração de alta definição, que cria um contorno mais musculoso. Também ganham espaço o lifting facial, preenchimento com ácido hialurônico e o enxerto de gordura, usado para repor volume nas regiões que perderam sustentação.
- Abdominoplastia: remove o excesso de pele e a flacidez abdominal.
- Lipoaspiração de alta definição: modela o corpo e destaca a musculatura.
- Lifting facial: combate o envelhecimento causado pela perda de gordura no rosto.
- Preenchimento com ácido hialurônico: devolve volume a bochechas e olheiras.
- Enxerto de gordura: usa gordura do próprio paciente para preencher e remodelar.
Perfil dos pacientes e expectativas
A maioria dos pacientes é formada por mulheres entre 35 e 55 anos, mas o interesse masculino também cresce, especialmente em relação à lipoaspiração de abdômen e à ginecomastia. Muitos procuram as cirurgias após atingirem a meta de peso, buscando melhorar a silhueta e a autoestima. Especialistas, porém, recomendam esperar pelo menos seis meses após o peso estável antes de operar.
Além disso, a avaliação médica é fundamental para verificar se a pele tem condições de se regenerar e se o paciente apresenta saúde geral compatível com o procedimento. "O resultado é muito melhor quando o emagrecimento é feito com acompanhamento e a velocidade de perda de peso é controlada", afirma um cirurgião plástico envolvido nas últimas pesquisas sobre o tema.
Impacto na rotina das clínicas
As clínicas de cirurgia plástica já percebem uma mudança na agenda de consultas. Procedimentos combinados, que unem lipoaspiração e abdominoplastia, ou lifting facial com preenchimento, se tornaram mais comuns. A demanda aquecida também impulsiona o setor de estética, com pacientes recorrendo a tratamentos complementares, como radiofrequência e ultrassom microfocado, para estimular a produção de colágeno.
Além do aspecto físico, a rápida perda de peso pode afetar a autoestima de forma paradoxal: enquanto a silhueta melhora, a flacidez e as rugas criam uma nova insatisfação. Por isso, os especialistas defendem uma abordagem multidisciplinar, com nutricionistas, endocrinologistas e psicólogos acompanhando o paciente desde o início do tratamento medicamentoso até a cirurgia.
A expectativa dos especialistas é que essa tendência continue se fortalecendo nos próximos anos, acompanhando a popularização dos medicamentos contra a obesidade. A orientação é que pacientes e médicos trabalhem em conjunto para garantir resultados seguros e naturais.



