Os registros de maus-tratos contra crianças no Brasil cresceram 14,6% em 2023, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O levantamento aponta que o crime é subnotificado, pois as crianças não têm autonomia para denunciar as situações de violência que vivem dentro de casa.
Violência doméstica e subnotificação
De acordo com Samira Bueno, diretora-executiva do FBSP, a violência contra crianças muitas vezes só é percebida por terceiros. "É na creche que se percebe e na escola, com a denúncia de um profissional de educação ou de um vizinho", afirmou. A falta de autonomia das vítimas e o medo de represálias contribuem para a subnotificação.
Dados do levantamento
O estudo do FBSP mostra que, em 2023, foram registrados 45.320 casos de maus-tratos contra crianças e adolescentes, contra 39.540 em 2022. O aumento representa 14,6% em um ano. A maioria das vítimas tem entre 0 e 4 anos de idade, e os agressores são, em geral, familiares próximos.
Impacto e desafios
A violência doméstica contra crianças deixa sequelas físicas e psicológicas profundas. O FBSP alerta que a subnotificação dificulta a criação de políticas públicas eficazes. "Precisamos fortalecer as redes de proteção e capacitar profissionais para identificar sinais de maus-tratos", destacou Samira Bueno.
O levantamento também aponta que a maioria dos casos ocorre dentro de casa, com agressores que são pais, mães ou responsáveis. A falta de denúncia impede que o Estado intervenha a tempo de proteger as vítimas.
Medidas necessárias
Especialistas defendem a ampliação de campanhas de conscientização e o treinamento de professores, médicos e assistentes sociais para reconhecer indícios de violência. Além disso, é fundamental criar canais seguros para que as próprias crianças possam pedir ajuda.
O FBSP reforça que a denúncia é essencial para quebrar o ciclo de violência. "Qualquer cidadão pode ligar para o Disque 100 e fazer uma denúncia anônima", lembrou Samira Bueno.



