O governador em exercício do Rio de Janeiro, Ricardo Couto, anunciou nesta terça-feira, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Hospital Federal do Andaraí, que o Ministério da Saúde atenderá ao pedido do estado para ampliar a capacidade de atendimento do Hospital Universitário Pedro Ernesto, na zona norte da capital fluminense. A declaração foi feita sem especificar o valor do investimento ou o cronograma das intervenções necessárias.
Apoio da União para ampliar capacidade
Segundo Couto, o Ministério da Saúde se comprometeu a realizar o pleito encaminhado pela Secretaria Estadual de Saúde, que busca aumentar o número de leitos e serviços oferecidos pelo Hospital Pedro Ernesto. A unidade, vinculada à Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), enfrenta sérias dificuldades financeiras e estruturais, tendo sido obrigada a desativar leitos de UTI que foram criados durante a pandemia de Covid-19.
O anúncio ocorre em meio a uma crise na saúde pública do estado, que afeta especialmente hospitais universitários e federais. O Pedro Ernesto, maior hospital público da zona norte, atende cerca de 4 mil pacientes por mês em seu pronto-socorro e realiza procedimentos de média e alta complexidade. A desativação dos leitos de UTI, ocorrida no início do ano, reduziu a capacidade de resposta a emergências e gerou protestos de médicos e pacientes.
Visita de Lula ao Andaraí
A visita do presidente Lula ao Hospital Federal do Andaraí, também na zona norte, fez parte de uma agenda de inspeção das unidades federais de saúde no Rio. O hospital, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), passou por reformas recentes e recebeu novos equipamentos. Durante o evento, Lula destacou a importância da parceria entre os governos federal e estadual para superar os desafios do setor.
"Estamos aqui para ver de perto as necessidades e garantir que o SUS funcione com qualidade para a população", afirmou o presidente, segundo nota oficial. A visita também serviu para cobrar agilidade na execução de obras e na liberação de recursos para a saúde fluminense.
Impacto da ampliação
A ampliação do Hospital Pedro Ernesto é vista como prioritária pelo governo estadual, que enfrenta uma fila de espera por cirurgias e consultas especializadas. A unidade é referência em traumatologia, neurocirurgia e cardiologia, mas sofre com a falta de insumos e pagamentos atrasados a fornecedores. O apoio federal pode ajudar a reativar os leitos de UTI e expandir o atendimento ambulatorial.
No entanto, especialistas alertam que, sem um cronograma claro e dotação orçamentária definida, o anúncio corre o risco de se tornar mais uma promessa não cumprida. A situação do Pedro Ernesto reflete a crise mais ampla dos hospitais universitários no Brasil, que dependem de verbas federais e estaduais frequentemente contingenciadas.
O secretário estadual de Saúde, que não teve o nome divulgado na ocasião, havia protocolado o pedido de ampliação junto ao Ministério da Saúde há meses, sem resposta. A visita de Lula ao Andaraí criou o ambiente político para o anúncio, que ocorreu após reunião a portas fechadas entre o presidente e o governador em exercício.
Próximos passos
Ricardo Couto afirmou que uma equipe técnica do Ministério da Saúde visitará o Hospital Pedro Ernesto nos próximos dias para avaliar as necessidades e definir as prioridades. "O governo federal está sensível à nossa demanda. Vamos trabalhar juntos para reativar os leitos e melhorar o atendimento", declarou o governador em exercício. A expectativa é que um plano de trabalho seja apresentado em até 30 dias.
A ampliação do Pedro Ernesto é uma das medidas do pacote de recuperação da saúde no Rio, que inclui também a federalização de hospitais municipais e a construção de novas unidades. A crise no setor tem sido um dos principais desafios da gestão estadual, que busca recursos federais para equilibrar as contas.



