Lula pede que OMS diga a Trump que SUS trata cidadãos como presidentes
Lula pede que OMS informe Trump sobre igualdade no SUS

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) utilizou uma visita ao Hospital Federal do Andaraí, no Rio de Janeiro, nesta terça-feira (28), para fazer um apelo simbólico ao diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. Lula pediu que Ghebreyesus transmita uma mensagem ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, destacando a universalidade do Sistema Único de Saúde (SUS).

“Quando você puder conversar com o presidente Trump, ele que anunciou que ia cortar a verba da OMS, diga para ele como um presidente de um país que não é rico como os Estados Unidos consegue garantir a cada cidadão brasileiro o mesmo tratamento de saúde que terá o presidente da República”, afirmou Lula.

Recado direto para Trump sobre igualdade no SUS

Durante o compromisso, Lula enfatizou que o SUS não faz distinção entre ricos e pobres, oferecendo o mesmo cuidado a todos. “Qualquer pobre do Brasil pode fazer um tratamento contra o câncer”, disse o presidente, referindo-se a procedimentos de alta complexidade disponíveis na rede pública.

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A fala ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após Trump anunciar cortes no financiamento à OMS. Lula aproveitou a presença de Ghebreyesus no país – que visitava o hospital ao lado do presidente – para reforçar a importância do investimento em saúde pública.

“Tratamento de saúde não é para rico, é para quem está doente. E nós queremos fazer um atendimento preventivo para evitar que as pessoas fiquem doentes desnecessariamente”, acrescentou Lula, defendendo uma abordagem de prevenção em vez de apenas cura.

Contexto da visita ao Hospital do Andaraí

A visita de Lula e do diretor da OMS ao Hospital Federal do Andaraí faz parte de uma agenda de inspeção e discussão sobre investimentos na rede hospitalar federal. O hospital, que atende emergências em trauma e cirurgias de média complexidade, foi escolhido como símbolo dos desafios e conquistas do SUS.

Lula destacou a importância de fortalecer o sistema público como pilar da soberania nacional. “Não adianta ter um país rico se o povo não tem acesso à saúde”, declarou.

O diretor da OMS, Tedros Adhanom, elogiou o SUS como exemplo global de cobertura universal, mas lembrou que desafios persistem, como financiamento e gestão.

Repercussão internacional e política interna

O pedido de Lula ganhou repercussão nas redes sociais e na imprensa internacional. Enquanto defensores do SUS celebram o reconhecimento do modelo, críticos apontam que a fala tem forte conotação eleitoral, já que Lula se prepara para disputar a reeleição.

Trump, por sua vez, ainda não se manifestou sobre o recado. A OMS confirmou que o diretor-geral transmitirá a mensagem, mas sem previsão de data.

No Brasil, o Datafolha divulgou recentemente que Lula tem 50% dos votos entre mulheres, enquanto seu principal oponente, Flávio, tem 40% – contexto que reforça a estratégia de associar o governo à proteção social.

Impactos na política de saúde

Especialistas em saúde pública avaliam que a fala de Lula serve para reafirmar o compromisso com o SUS, mas alertam que é necessário mais investimento. Segundo dados do Ministério da Saúde, o orçamento do SUS em 2024 foi de R$ 150 bilhões, enquanto a demanda por tratamentos oncológicos cresce 5% ao ano.

A menção a Trump também insere o Brasil no debate global sobre financiamento da OMS. Os EUA são o maior contribuinte da organização, e cortes podem afetar programas de combate a doenças em todo o mundo.

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