Jovens com câncer: saúde mental e marcos de vida exigem atenção
Jovens com câncer: saúde mental e marcos de vida

Adolescentes e jovens adultos que vivem com câncer ou sobreviveram à doença têm necessidades e perspectivas únicas que os médicos devem acolher, aponta artigo do Canadian Medical Association Journal. O texto traz orientações para pais, familiares e amigos, destacando que esses pacientes enfrentam não apenas tratamentos dolorosos, mas também traumas que não podem ser ignorados.

Marcos de vida interrompidos

Embora o foco dos oncologistas seja a cura, é indispensável considerar como o câncer interrompe fases cruciais na vida de adolescentes e jovens adultos. Os médicos devem abordar esses desdobramentos e seu impacto no futuro, incluindo temas como fertilidade, saúde sexual e planejamento antecipado de cuidados. Questões como congelar óvulos (criopreservação de oócitos) ou espermatozoides (criopreservação seminal) não são acessórias. Diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides ao longo da vida, as mulheres nascem com sua reserva ovariana completa, e tratamentos como quimioterapia ou radioterapia podem esgotá-la precocemente.

Impactos na saúde mental

O câncer afeta todos os pacientes e seu núcleo familiar. Como os adolescentes e jovens adultos estão especialmente vulneráveis à ansiedade e à depressão, avaliações psicológicas regulares são essenciais para indicar aconselhamento, encaminhamentos ou suporte medicamentoso. Pais, avós e irmãos também precisam ficar atentos a sinais de que necessitam de ajuda.

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Linguagem centrada no paciente

É importante evitar termos que possam minimizar o golpe de receber um diagnóstico de câncer e utilizar as expressões de preferência da pessoa. Não se deve exigir que o jovem se mantenha confiante e proativo o tempo todo. É preciso exercer a escuta, ouvir o que ele tem a dizer. Se já é difícil para os mais velhos, imagine para eles!

Apoio pós-tratamento

Como a maioria desses pacientes viverá por muitas décadas após a remissão, um acompanhamento contínuo e alinhado às diretrizes médicas é fundamental, sempre com a colaboração entre oncologistas e generalistas. O estímulo a um estilo de vida saudável fará toda a diferença nos anos seguintes.

Identidades interseccionais

As particularidades de cada paciente vão além da idade. Os profissionais de saúde devem demonstrar abertura e respeito perguntando sobre nomes sociais, pronomes e outros aspectos que compõem a identidade e a dignidade daquela pessoa. “Adolescentes e jovens adultos diagnosticados com câncer estão navegando por muito mais do que um diagnóstico; eles frequentemente estão lidando com transições de vida significativas ao mesmo tempo”, diz a coautora a psicóloga Perri Tutelman, professora assistente da Universidade de Calgary.

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