A macrorregião Norte de saúde de Minas Gerais, formada por 86 municípios, registra alta de 17% nas internações por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em 2026. Segundo a Superintendência Regional de Saúde (SRS) de Montes Claros, já são 2.089 hospitalizações e 47 óbitos pela doença na região.
O aumento foi contabilizado pela SRS a partir das notificações das secretarias municipais de saúde das 86 cidades. Os dados consolidados servem de alerta para a necessidade de reforço nas ações de prevenção, principalmente no período de maior circulação dos vírus respiratórios.
A coordenadora de Vigilância em Saúde da SRS de Montes Claros, Agna Menezes, informou que os agentes infecciosos que mais têm levado pacientes aos hospitais são o vírus da influenza e o vírus sincicial respiratório (VSR). Para as duas infecções, a rede pública oferece vacinas.
O que é a SRAG e quem é mais atingido
A SRAG é uma forma grave de síndrome respiratória que pode evoluir rapidamente para insuficiência respiratória. Entre os sintomas mais comuns estão febre alta, tosse intensa, dificuldade para respirar e queda da saturação de oxigênio. Em situações extremas, o paciente precisa de suporte em leito de UTI.
Em crianças pequenas, os sinais de alerta incluem chiado no peito, batimento das asas do nariz e desconforto respiratório. Nos idosos, a infecção pode se manifestar por prostração, confusão mental e piora de doenças crônicas preexistentes.
Os dados da SRS mostram que as mortes se concentram nos extremos de idade. Brasília de Minas é o município com maior número de óbitos: 10. Já Montes Claros, a maior cidade da região, contabiliza três. "Quando nós observamos os óbitos, percebemos que a grande maioria se concentra nos extremos de idade, crianças e idosos, que é o público prioritário para vacinação contra influenza", explicou Agna Menezes.
Cobertura vacinal abaixo da meta
A coordenadora destacou que a cobertura vacinal contra a gripe na região está muito aquém do recomendado. "Os dados de cobertura vacinal estão abaixo do preconizado. O Ministério da Saúde preconiza uma cobertura acima de 90% e, na nossa região, nós estamos com uma cobertura vacinal de 54%", lamentou.
A meta de 90% é considerada essencial para criar uma barreira de proteção na comunidade e evitar surtos. A região Norte de Minas, com pouco mais de 54% de cobertura, está distante desse patamar, o que aumenta o risco de transmissão sustentada do vírus.
A baixa adesão é preocupante porque a imunização é a principal ferramenta para evitar casos graves de influenza. A vacina trivalente utilizada pelo SUS protege contra as cepas que mais circulam no país e é atualizada anualmente.
Vacinação contra a gripe no Norte de MG
Nas 86 cidades do Norte de Minas, a SRS contabilizou 407.447 doses aplicadas contra a gripe. No entanto, 100.690 dessas doses foram usadas em pessoas que não pertencem aos grupos prioritários do Programa Nacional de Imunizações (PNI). Isso indica que parte da população que mais precisa da proteção pode ainda não ter sido alcançada.
A vacina é segura e pode ser administrada junto com outras vacinas do calendário. Gestantes e puérperas, além de protegerem a si mesmas, transmitem anticorpos aos bebês, reduzindo o risco de complicações nos primeiros meses de vida.
Vacina contra o vírus sincicial respiratório
Em relação ao vírus sincicial respiratório, que costuma provocar bronquiolite e pneumonia em bebês, o SUS disponibiliza a vacina para gestantes a partir da 28ª semana de gestação. A imunização materna transfere anticorpos ao bebê e reduz o risco de internação nos primeiros meses de vida.
Agna Menezes reforça que, além da vacinação, a prevenção inclui medidas como higiene das mãos, ventilar ambientes e evitar aglomerações em períodos de alta circulação viral.
Estratégias para ampliar a imunização
Para reverter o cenário de baixa cobertura, a coordenadora sugere ações práticas nos municípios. "É importante que os profissionais de saúde realizem busca ativa para vacinação desse público e que facilitem o acesso dessa população também à sala de vacina, com horário de funcionamento estendido, funcionando no horário de almoço e depois das 17 horas", afirmou.
Ela também defende a vacinação fora das unidades de saúde, com a utilização do vacimóvel. "Toda ida da população à unidade básica de saúde deve ser uma oportunidade para que a caderneta de vacinação seja avaliada e, se necessário, atualizada", completou.
A coordenadora ainda recomendou que os municípios identifiquem os faltosos e intensifiquem a comunicação com a população, utilizando carros de som, agentes comunitários e os canais oficiais de saúde.
Quem pode se vacinar contra a gripe
O PNI define como grupos prioritários para a vacinação anual contra a influenza:
- Crianças de 6 meses a menores de 6 anos
- Gestantes
- Idosos com 60 anos ou mais
- Puérperas (até 45 dias após o parto)
- Povos indígenas e quilombolas
- Pessoas em situação de rua
- Trabalhadores da saúde
- Professores do ensino básico e superior
- Profissionais das forças de segurança e salvamento
- Integrantes das Forças Armadas
- Pessoas com deficiência permanente
- Pessoas com doenças crônicas ou outras condições clínicas especiais
- Caminhoneiros
- Trabalhadores do transporte coletivo urbano e rodoviário de passageiros
- Trabalhadores portuários
- População privada de liberdade
- Funcionários do sistema prisional
- Adolescentes e jovens em medidas socioeducativas
- Profissionais dos Correios
A SRS de Montes Claros monitora a evolução dos casos de SRAG e orienta as secretarias municipais de saúde a intensificar a vacinação. A expectativa é que, com a ampliação da cobertura, seja possível reduzir o número de internações e óbitos na região nas próximas semanas.



