A natureza silenciosa das hepatites virais
Durante muito tempo, uma pessoa pode conviver com uma doença no fígado sem perceber qualquer alteração na própria saúde. Essa é uma das principais características das hepatites virais, enfermidades que costumam evoluir de forma silenciosa e que, quando não diagnosticadas precocemente, podem causar complicações graves, como cirrose e câncer hepático. É justamente para ampliar a conscientização sobre esse cenário que o Julho Amarelo mobiliza profissionais de saúde e instituições em todo o país.
A campanha chama atenção para a importância da prevenção, da vacinação, da realização de testes e do diagnóstico precoce, reforçando que, atualmente, muitas hepatites podem ser prevenidas, controladas e, em alguns casos, curadas quando identificadas a tempo. Segundo o gastroenterologista Salustiano Neves da Silva Neto (CRM: 3912), da Unimed Teresina, a ausência de sintomas não significa ausência de doença. Isso acontece porque o fígado possui uma grande capacidade de continuar desempenhando suas funções mesmo enquanto sofre um processo inflamatório.
Sintomas e evolução
"Em medicina, a ausência de sintomas não significa ausência de doença. O fígado consegue continuar funcionando de forma quase normal mesmo sofrendo lesões. Além disso, os primeiros sinais costumam ser muito inespecíficos, como cansaço, mal-estar e perda de apetite, sintomas facilmente confundidos com outras condições", explica o médico. À medida que a doença evolui, podem surgir manifestações mais sugestivas de comprometimento hepático, como náuseas, vômitos, dor na região superior direita do abdômen, emagrecimento sem causa aparente, pele e olhos amarelados, urina escura e alterações na coloração das fezes. Em estágios mais avançados, podem ocorrer inchaço abdominal, edema nas pernas, sangramentos e até alterações neurológicas.
Fatores de risco e diagnóstico
O especialista alerta que mesmo pessoas sem sintomas devem procurar avaliação médica quando apresentam fatores de risco, como histórico de contato com sangue contaminado, compartilhamento de objetos perfurocortantes, relações sexuais desprotegidas, consumo frequente de álcool, obesidade, diabetes, colesterol elevado ou alterações identificadas em exames laboratoriais. A investigação clínica inclui avaliação médica detalhada, exames de sangue que analisam o funcionamento e a inflamação do fígado, sorologias para hepatites virais e exames de imagem, como a ultrassonografia, que ajudam a identificar alterações na estrutura do órgão.
Além das hepatites: outros perigos para o fígado
Embora as hepatites virais estejam entre as principais causas de doenças crônicas do fígado, elas não são as únicas ameaças à saúde hepática. Salustiano alerta que fatores relacionados ao estilo de vida também exercem grande influência sobre o desenvolvimento dessas doenças. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas, a obesidade, o diabetes, o colesterol elevado, o uso indiscriminado de medicamentos, anabolizantes, suplementos e até produtos naturais podem provocar lesões no fígado.
"Existe uma falsa percepção de que todo produto natural é inofensivo. Algumas substâncias podem causar danos importantes ao fígado, principalmente quando utilizadas sem orientação médica", ressalta o gastroenterologista. Segundo ele, hábitos saudáveis desempenham papel decisivo na prevenção. Alimentação equilibrada, prática regular de atividade física, controle do peso corporal e redução do consumo de alimentos ultraprocessados ajudam a diminuir o acúmulo de gordura no fígado e reduzem processos inflamatórios que favorecem o surgimento de doenças hepáticas.
Prevenção e cuidados essenciais
O médico destaca ainda que a esteatose hepática, conhecida popularmente como gordura no fígado, merece acompanhamento, especialmente quando associada às hepatites virais. Nesses casos, a evolução da doença pode ser acelerada, aumentando o risco de fibrose, cirrose e câncer hepático. “Para quem já recebeu o diagnóstico de hepatite, o acompanhamento médico regular é indispensável. Seguir corretamente o tratamento, evitar bebidas alcoólicas, não utilizar medicamentos ou suplementos sem orientação, manter a vacinação em dia e adotar medidas para evitar a transmissão da doença fazem parte dos cuidados essenciais”, finaliza o gastroenterologista Salustiano Neves da Silva Neto.



