Hepatites B e C: sintomas, prevenção e risco de câncer de fígado
Hepatites B e C: sintomas, prevenção e risco de câncer

As hepatites virais são infecções que afetam o fígado e, muitas vezes, passam despercebidas por anos. Silenciosas na maioria dos casos, as hepatites B e C estão entre as principais causas de câncer de fígado no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, milhões de pessoas vivem com hepatite B ou C sem saber. O diagnóstico tardio é um dos maiores desafios no controle da doença e, quando a infecção não é tratada, as consequências podem ser graves e irreversíveis.

Sintomas inespecíficos dificultam o diagnóstico

Na maioria das vezes, as hepatites B e C não apresentam sintomas nas fases iniciais. Quando os sinais aparecem, costumam ser inespecíficos e facilmente confundidos com outras condições. O Dr. Hugo Mandarino, oncologista (CRM-MG 101899), explica: “Os sintomas são inespecíficos: dor abdominal, náuseas e mal-estar. Alguns pacientes podem evoluir com icterícia, pele amarelada. Esses sintomas levam os pacientes para a emergência e, durante exames de investigação, se chega ao diagnóstico.” Outros sinais que podem aparecer incluem cansaço intenso, febre, tontura e enjoo. Qualquer um desses sintomas persistentes merece avaliação médica, especialmente em pessoas que nunca fizeram exames para hepatite.

Risco de câncer de fígado

Quando não tratadas, as hepatites B e C podem evoluir para condições graves. O especialista é direto: “As hepatites podem evoluir, principalmente quando não tratadas, para o hepatocarcinoma, o câncer que se iniciou no fígado.” O carcinoma hepatocelular é o tipo mais comum de câncer primário do fígado e está frequentemente associado às hepatites virais, de acordo com a OMS. A progressão costuma ser lenta, o que reforça a importância do diagnóstico precoce, antes que o fígado acumule danos irreversíveis.

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Prevenção: vacina e cuidados

A boa notícia é que existem formas eficazes de prevenção. Para a hepatite B, a vacina é a principal delas e está disponível gratuitamente na rede pública de saúde para todas as faixas etárias. O especialista faz um alerta importante para quem já se vacinou: “Quem se vacinou tem que saber se a vacina fez efeito, se o organismo produziu células de proteção para a hepatite B, dosando um anticorpo no sangue.” Para a hepatite C, ainda não existe vacina disponível. Por isso, o médico recomenda: “Para a hepatite C, tem que fazer exames para saber se foi contaminado.” Além da vacinação e dos testes, outras medidas são fundamentais. O especialista reforça: “A prevenção não só para hepatites B e C, mas para todos os tipos de doenças sexualmente transmissíveis é usar preservativos. Outro ponto importante é o não compartilhamento de agulhas.”

Quem deve fazer o teste

O Ministério da Saúde recomenda a testagem para hepatites B e C como parte do acompanhamento de saúde de adultos, especialmente para pessoas que nunca realizaram o exame, gestantes, pessoas com histórico de transfusão de sangue antes de 1993 e quem compartilhou objetos perfurocortantes. Os testes são simples, rápidos e disponíveis gratuitamente nas unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS).

Diagnóstico precoce salva vidas

Tratar as hepatites B e C nas fases iniciais evita a progressão para cirrose e câncer de fígado. Hoje, a hepatite C tem cura com tratamento medicamentoso de alta eficácia, segundo o Ministério da Saúde. Já a hepatite B, embora não tenha cura definitiva, pode ser controlada com acompanhamento médico adequado, preservando a função do fígado por muitos anos. Não espere os sintomas aparecerem. Converse com seu médico, faça os exames e, se ainda não se vacinou contra a hepatite B, procure a unidade de saúde mais próxima.

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