Fraissexuais: entenda a nova identidade sexual que viralizou
Fraissexuais: entenda a nova identidade sexual

O termo “fraissexual” ganhou destaque nas redes sociais e em debates sobre diversidade sexual. Mas o que significa exatamente? A fraissexualidade é uma identidade sexual caracterizada pela atração por pessoas que transmitem uma “energia feminina”, independentemente de seu gênero ou expressão de gênero. Ou seja, uma pessoa fraissexual pode se sentir atraída por homens, mulheres ou pessoas não-binárias, desde que percebam nesses indivíduos uma energia considerada feminina.

Origem e popularização do termo

O termo vem do latim “fraiss”, que significa “feminino”. Ele surgiu em comunidades online e fóruns de discussão sobre sexualidade, sendo posteriormente difundido em plataformas como TikTok e Instagram. A psicóloga e sexóloga Marina Simas, especialista em diversidade, explica: “A fraissexualidade não é uma orientação sexual no sentido tradicional, mas uma forma de descrever a atração baseada em características percebidas como femininas, que podem ser comportamentais, estéticas ou energéticas”.

Como a fraissexualidade se diferencia de outras orientações

Diferentemente da heterossexualidade, homossexualidade ou bissexualidade, que se baseiam no sexo ou gênero da pessoa atraída, a fraissexualidade se concentra na energia percebida. Por exemplo, um homem cisgênero que se identifica como fraissexual pode sentir atração por mulheres cis, mulheres trans, homens trans ou pessoas não-binárias que apresentem uma energia feminina. Essa energia não é necessariamente ligada à aparência física, mas a traços como delicadeza, empatia, sensibilidade ou até mesmo a forma de se vestir e se comportar.

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Críticas e controvérsias

Apesar da crescente visibilidade, o termo não é consenso entre especialistas e ativistas. Alguns argumentam que ele reforça estereótipos de gênero, ao associar certas características a uma “essência feminina”. Outros veem a fraissexualidade como uma forma válida de autoconhecimento e expressão da diversidade humana. A sexóloga Marina Simas pondera: “É importante respeitar como cada pessoa se identifica, mas também é fundamental discutir criticamente os conceitos que usamos, para não cairmos em essencialismos”.

Impacto social e visibilidade

A popularização do termo reflete uma tendência mais ampla de ampliação do vocabulário sobre sexualidade e gênero, especialmente entre gerações mais jovens. Pesquisas recentes indicam que cerca de 30% dos jovens brasileiros entre 18 e 24 anos já se identificam com alguma orientação sexual fora do binário heterossexual/homossexual. A fraissexualidade, nesse contexto, surge como mais uma possibilidade de autodefinição.

A visibilidade do termo também gera debates sobre a necessidade de mais estudos científicos. Até o momento, não há pesquisas acadêmicas robustas sobre a fraissexualidade, o que leva muitos a questionarem sua validade como identidade distinta. No entanto, para aqueles que se identificam como fraissexuais, o termo oferece um senso de pertencimento e validação de suas experiências afetivas e sexuais.

Como saber se você é fraissexual?

Especialistas sugerem que a autoidentificação é o principal critério. Se você sente atração por pessoas com energia feminina, independentemente do gênero, e esse termo ressoa com sua experiência, pode ser útil explorar essa identidade. No entanto, é importante lembrar que a sexualidade é fluida e complexa, e rótulos são apenas ferramentas para nos ajudar a nos entender, não caixas rígidas.

A fraissexualidade, portanto, insere-se no espectro da diversidade sexual como uma forma de descrever atrações que transcendem o binarismo de gênero. Sua popularidade nas redes sociais indica uma busca por linguagem mais inclusiva e representativa, mas também levanta questões sobre os limites e as implicações de tais categorias. O debate está longe de ser concluído, e a ciência, a psicologia e a sociologia têm um papel crucial a desempenhar na compreensão desse fenômeno emergente.

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