Filhote de beija-flor resgatado por veterinário em SP dá primeiros voos
Filhote de beija-flor resgatado dá primeiros voos em SP

O filhote de beija-flor resgatado há mais de dois meses em Presidente Prudente (SP) deu seus primeiros voos baixos, conforme acompanhamento do veterinário Luís Felipe Zulim. A ave, que está mais independente, apresenta novas penas coloridas e maior agitação.

Evolução do filhote

“Tem um pouquinho mais de penas coloridas, está mais agitadinho, espertinho, presta atenção em tudo e também está dando uns voos baixos”, detalha Zulim ao g1. O veterinário explica que a ave fica no banheiro da casa dele quando não está sob supervisão, para evitar ataques de outros pets. “Eu chego lá e ele está cada hora num lugar, parece que tentou voar. Ele sempre tentou um pouquinho, mas agora está mais evidente e dá pra ver que consegue voos baixos.”

Dependência alimentar

Apesar da evolução, Zulim afirma que ainda não é possível estimar quando a ave poderá ser solta na natureza. “Pra comer, ele é extremamente dependente ainda, não tantas vezes ao dia, mas ele me vê e abre a boca pra eu dar comida. Quando estou longe, ele já come e bebe na vasilha, mas ainda é dependente e, para ser livre, precisa voar bem e estar totalmente empenado”, completa.

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Cuidados diários

Atualmente, os cuidados incluem alimentação, treinos de independência no bebedouro, uso de poleiros para fortalecer as patas e períodos de “banho de sol”. A médica-veterinária de animais silvestres Amanda Abonizio, que acompanha o desenvolvimento do filhote, reforça a importância dos banhos. “Eu instituí alguns banhinhos para a gente terminar de tirar toda a sujeira do início das papinhas, porque o beija-flor é um animal extremamente limpo”, descreve.

Características da espécie

Amanda explica que o beija-flor pertence à família Trochilidae e está entre as menores aves do mundo, com metabolismo acelerado. “Esses animais precisam se alimentar várias vezes ao dia para suprir sua demanda energética. Uma curiosidade é que eles são capazes de permanecer pairados no ar durante o voo e até conseguem voar para trás”, revela. Algumas espécies vivem de cinco a oito anos, com temperatura corporal entre 39 e 45 graus. A frequência cardíaca pode chegar a 1.200 batimentos por minuto em voo, e o coração representa 5% do peso corporal. “O beija-flor exerce um papel ecológico importantíssimo como polinizador de diversas espécies de vegetais”, destaca.

Desafios da recuperação

Quando resgatado, o filhote precisava ser alimentado a cada 20 ou 30 minutos. A dieta inclui pequenos insetos, o que torna a manutenção em “cativeiro” um desafio. “Acreditamos que a falta do alimento mais específico, aliada às temperaturas frias, retardou o desenvolvimento, mas seguimos na luta, pois ele se apresenta forte”, afirma Zulim. O animal também apresentava deformidade nas patas, mas isso não impede o voo. “Percebi que o aquecedor ajudou muito no desenvolvimento dele nas últimas semanas. É devagar, mas já é possível ver peninhas novas e ele mais ‘reforçadinho’”, completa.

Meta de soltura

Zulim destaca que o objetivo é realizar a soltura da ave em seu habitat natural assim que ela estiver preparada. “Como profissional e como ser humano, esse processo está sendo de grande intensidade, entrega e dedicação. Ficará marcado para sempre.” Ele reforça que não é adequado resgatar animais silvestres sem conhecimento. “Foi preciso agir com coração, mas com cautela e rapidez. Não é minha área de atuação, por isso precisei pesquisar e pedir ajuda a profissionais”, afirma. A orientação é acionar a Polícia Ambiental, Corpo de Bombeiros ou médico-veterinário de animais silvestres.

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O que fazer ao encontrar um filhote

Amanda Abonizio orienta que a primeira atitude é observar com calma se o animal está realmente abandonado. “Nem todo filhote encontrado sozinho está abandonado. Muitas vezes os pais continuam por perto alimentando a ave. Se o animal estiver em local seguro e sem ferimentos aparentes, o ideal é monitorar antes de intervir”, alerta. Caso esteja ferido ou em risco, deve ser colocado em uma caixa de papelão limpa, aquecida e silenciosa, enquanto se busca orientação profissional. “A principal orientação é avaliar se existe realmente necessidade de intervenção. Devemos agir quando o animal apresenta ferimentos, sinais de debilidade, risco iminente ou quando há certeza de que ficou órfão”, conclui.