O diagnóstico da fibromialgia é clínico e os exames laboratoriais e de imagem geralmente apresentam resultados normais, esclarece o reumatologista Dr. Fábio Batistella. A condição é caracterizada por dor musculoesquelética difusa e crônica, além de fadiga, distúrbios do sono e alterações de humor. Segundo o médico, o sistema nervoso central das pessoas com fibromialgia processa a dor de forma intensificada, amplificando os estímulos dolorosos.
Entendendo a fibromialgia e o papel do sistema nervoso
Dr. Batistella explica que a fibromialgia não é uma doença inflamatória ou degenerativa, mas sim uma síndrome de sensibilização central. Isso significa que o cérebro e a medula espinhal interpretam sinais normais como dolorosos, resultando em dor crônica mesmo sem lesão tecidual. Por isso, exames como hemograma, velocidade de hemossedimentação (VHS), proteína C reativa (PCR), fator reumatoide e radiografias costumam ser normais.
O diagnóstico é baseado nos critérios do American College of Rheumatology, que incluem dor generalizada por pelo menos três meses e presença de sintomas associados, como fadiga, sono não reparador e alterações cognitivas. "Muitos pacientes passam por diversos especialistas e exames até receberem o diagnóstico correto", afirma o reumatologista.
Seis formas de aliviar a dor na fibromialgia
O Dr. Fábio Batistella destaca que, embora não haja cura, é possível controlar os sintomas com mudanças no estilo de vida e tratamento multidisciplinar. Ele sugere seis hábitos que ajudam a amenizar a dor:
- Atividade física regular: Exercícios aeróbicos de baixo impacto, como caminhada, natação e pilates, ajudam a liberar endorfinas e reduzir a percepção da dor.
- Higiene do sono: Estabelecer horários fixos para dormir, evitar telas antes de deitar e criar um ambiente escuro e silencioso melhora a qualidade do sono.
- Alimentação anti-inflamatória: Dieta rica em frutas, vegetais, grãos integrais e gorduras boas (como ômega-3) pode diminuir a inflamação sistêmica e aliviar a dor.
- Gerenciamento do estresse: Técnicas como meditação, mindfulness, ioga e terapia cognitivo-comportamental ajudam a modular a resposta do sistema nervoso à dor.
- Terapias complementares: Acupuntura, massoterapia e quiropraxia podem proporcionar alívio temporário dos sintomas.
- Medicação sob orientação: Antidepressivos, anticonvulsivantes e relaxantes musculares são usados para modular a dor, sempre com prescrição médica.
Impacto na qualidade de vida e tratamento multidisciplinar
A fibromialgia afeta significativamente a qualidade de vida, com impacto nas atividades diárias, trabalho e relacionamentos. Estima-se que a síndrome atinja cerca de 2% a 4% da população mundial, sendo mais comum em mulheres. O tratamento ideal envolve uma equipe multidisciplinar com reumatologista, fisioterapeuta, psicólogo e nutricionista.
O Dr. Batistella ressalta que o suporte emocional e a compreensão da família e amigos são fundamentais. "O paciente precisa se sentir acolhido e entender que a dor é real, mesmo sem alterações nos exames", conclui. A informação correta e o acompanhamento profissional são as melhores ferramentas para conviver com a fibromialgia.



