Famílias do DF denunciam negligência após mortes de bebês na rede pública
Famílias do DF denunciam negligência após mortes de bebês

Denúncias de negligência no Distrito Federal

Em julho, denúncias de negligência em atendimentos na rede pública de saúde marcaram a vida de famílias do Distrito Federal. Há algumas semanas, as mães ainda aguardam resposta sobre as mortes das filhas. Dois casos emblemáticos expõem falhas no atendimento hospitalar: a morte de Helena, por hipoxia intrauterina, e a de Maria Vitória, por extubação acidental durante transferência.

Caso Helena: falta de acesso ao prontuário

Luciana Ferreira, de 34 anos, registrou boletim de ocorrência por possível violência obstétrica após perder a primeira filha, Helena, no Hospital de Planaltina. O atestado de óbito da bebê apontou parada cardiorrespiratória e hipoxia intrauterina, ou seja, falta de oxigênio. No entanto, após 33 dias, a família ainda não conseguiu acessar o prontuário médico da criança. Já a Polícia Civil só entrou em contato, por um aplicativo de mensagem, com Luciana nesta quarta-feira (29). Os agentes perguntaram sobre o acompanhamento pré-natal e o atendimento no parto.

“A minha filha estava saudável. Eu fiz pré-natal direito. Todos os pré-natais deram tudo ok, minha filha estava perfeita. Até hoje, eu não consigo entender. Tem hora que, do nada, me bate uma revolta”, conta Luciana. A família segue sem respostas concretas sobre as circunstâncias da morte.

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Caso Maria Vitória: extubação acidental durante transporte

Outra família que sofre com a falta de assistência é a da Maria Vitória de Sousa Machado, de 5 meses, que morreu após ser extubada acidentalmente, no último dia 6. Ela deu entrada também no Hospital de Planaltina com suspeita de bronquiolite. No entanto, a unidade de saúde não tinha leito de UTI para crianças e, por isso, ela precisou ser transferida para o Hospital da Criança.

Ao sair do Hospital de Planaltina para a transferência, Maria Vitória estava estável. Mas, durante o transporte, a bebê foi “acidentalmente extubada”, como confirma o prontuário de atendimento médico da bebê. Em nota, o Hospital da Criança informou que, “ao chegar à unidade, os médicos identificaram que a criança já estava extubada e arroxeada, com pupilas fixas e em parada cardiorrespiratória”. O hospital diz que Maria Vitória foi “diretamente conduzida à UTI” e que foram feitas “manobras de reanimação, mas a criança não respondeu”.

Impacto e próximos passos

As duas famílias aguardam investigações da Polícia Civil e da Secretaria de Saúde do Distrito Federal. O caso de Maria Vitória levanta questionamentos sobre a segurança no transporte de pacientes críticos e a falta de leitos de UTI pediátrica na rede pública. Já o caso de Helena expõe dificuldades no acesso a informações médicas após óbitos. As mães cobram transparência e justiça.

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