Um estudo internacional publicado na revista científica The Lancet revelou que mudanças no estilo de vida podem proteger o cérebro contra demências e declínio cognitivo. A pesquisa acompanhou 1.065 participantes entre 60 e 77 anos durante dois anos em 11 países da América Latina, incluindo o Brasil. O resultado comprovou que a adoção de um programa de hábitos saudáveis melhorou em 55% o desempenho cognitivo de pessoas idosas com alto risco de desenvolver problemas de cognição e demência.
O estudo LatAm Fingers
Coordenado pelo neurologista Dr. Paulo Caramelli, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), o programa LatAm Fingers é uma adaptação latino-americana do estudo finlandês FINGER, que já havia demonstrado benefícios semelhantes em populações europeias. “A novidade é que conseguimos replicar os resultados em uma região com grande diversidade socioeconômica e cultural, mostrando que a intervenção é eficaz mesmo em contextos de menor renda”, afirmou Caramelli.
Como foi a intervenção
Os participantes foram divididos em dois grupos: um que recebeu orientações intensivas sobre alimentação equilibrada, atividade física regular, estímulo cognitivo (como jogos e leitura), controle de fatores de risco cardiovascular e suporte social; e outro que seguiu apenas recomendações gerais de saúde. Após dois anos, o grupo de intervenção apresentou 55% menos declínio cognitivo e melhores resultados em testes de memória, atenção e raciocínio.
Impacto na saúde pública
Segundo Caramelli, os resultados são animadores porque mostram que é possível prevenir ou retardar o aparecimento de demências, como o Alzheimer, com medidas acessíveis. “Cerca de 40% dos casos de demência no mundo poderiam ser evitados com mudanças no estilo de vida”, destacou o neurologista. No Brasil, estima-se que 1,2 milhão de pessoas vivam com demência, número que pode triplicar até 2050.
Recomendações práticas
O programa incluiu orientações como: dieta rica em frutas, verduras, grãos integrais e peixes; prática de pelo menos 150 minutos de exercício moderado por semana; realização de atividades que desafiem o cérebro, como aprender um novo idioma ou instrumento musical; controle da pressão arterial, diabetes e colesterol; e manutenção de uma vida social ativa. “Não é uma pílula mágica, mas uma combinação de hábitos que, juntos, fazem diferença”, explicou Caramelli.
Próximos passos
A equipe do LatAm Fingers planeja expandir o estudo para outras regiões e avaliar a sustentabilidade da intervenção a longo prazo. Enquanto isso, os pesquisadores recomendam que políticas públicas incorporem programas de prevenção ao declínio cognitivo, especialmente para populações idosas e de baixa renda.



