Quando passou por um check-up de rotina em 2023, Alexandre Lopes de Magalhães, de 54 anos, não imaginava que uma ultrassonografia revelaria um tumor no rim direito. Sem qualquer sintoma, recebeu o diagnóstico de carcinoma de células claras, o tipo mais comum de câncer renal.
“Eu não sentia absolutamente nada. Sem aquele exame, provavelmente não teria descoberto a doença naquele momento”, relembra o paciente do oncologista Diogo Rosa.
A notícia chegou em um período especialmente delicado. Três meses antes, Alexandre havia perdido a esposa após mais de três anos de tratamento contra um câncer de mama metastático. Pai de dois filhos adolescentes, ele ainda lidava com o luto e com a reorganização da rotina da família quando recebeu o diagnóstico.
Pouco tempo depois, foi submetido a uma nefrectomia parcial robótica no Hospital Vitória (RJ), da Rede Américas, segunda maior rede de hospitais privados do País.
A trajetória de Alexandre reflete uma característica comum do câncer de rim: muitos casos são descobertos durante exames realizados por outros motivos.
Uma doença que raramente dá sinais
Embora seja menos frequente do que outros tumores, a incidência do câncer de rim deve aumentar nas próximas décadas. Projeções da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC), vinculada à Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que o número de novos casos pode crescer cerca de 79,5% no Brasil até 2050.
“Ao contrário de tumores como os de mama e próstata, que contam com estratégias de diagnóstico precoce, o câncer de rim não possui um exame recomendado para rastreamento populacional. Além disso, o órgão fica localizado profundamente no abdômen, o que dificulta a identificação de alterações durante a avaliação médica. Na maioria dos casos, não provoca sintomas específicos”, explica Diogo Rosa, oncologista dos Hospitais Samaritano Botafogo e Barra (RJ), da Rede Américas.
Por isso, muitos casos são identificados de forma incidental, durante exames de imagem realizados por outras razões, como ocorreu com Alexandre.
Tratamentos menos invasivos e mais precisos
O diagnóstico em fases iniciais também ampliou as possibilidades de cura. “O principal tratamento do câncer de rim continua sendo a cirurgia. Hoje, porém, dispomos de técnicas menos invasivas, como laparoscopia e cirurgia robótica, que permitem uma recuperação mais rápida e, em muitos casos, preservam parte do rim”, comenta Diogo Rosa.
Em muitos casos, é possível remover apenas a área afetada, reduzindo a extensão do procedimento e preservando a maior parte do órgão.
“O câncer de rim ajudou a demonstrar o potencial da imunoterapia. Hoje, conseguimos controlar a doença por períodos muito mais longos do que no passado”, afirma Carlos Dzik, líder em oncologia geniturinária da Rede Américas.
O valor de diferentes olhares
A definição da melhor estratégia depende das características de cada cenário. Na Rede Américas, decisões como essas são discutidas em tumor boards, reuniões que reúnem profissionais de diferentes áreas para avaliar casos complexos.
Por meio da Oncologia Américas, sua frente dedicada à especialidade, a rede conecta especialistas em uma estrutura de assistência, pesquisa e discussão clínica. A iniciativa favorece o compartilhamento de conhecimento e amplia o acesso aos avanços mais recentes da oncologia.
“Já existe evidência científica mostrando que pacientes cujos casos são avaliados por equipes multidisciplinares apresentam melhores desfechos do que aqueles cuja decisão é tomada por um único especialista”, afirma Augusto Mota, oncologista da Clínica AMO, que é administrada pela Rede Américas.
Na Bahia, onde o especialista atua, esse modelo reúne as clínicas AMO e o Hospital da Bahia. A estrutura conecta o atendimento ambulatorial e hospitalar, com acompanhamento coordenado e o compartilhamento de informações clínicas. “Temos um grupo de uro-oncologia com mais de 40 profissionais que se reúne semanalmente para discutir casos complexos. Essa integração favorece uma visão mais ampla do paciente e reduz a fragmentação do cuidado”, diz.
Mota cita como exemplo o caso de um paciente idoso que descobre um pequeno tumor renal. Segundo ele, o impulso inicial pode ser indicar uma cirurgia, mas a avaliação conjunta permite considerar fatores como condições clínicas, expectativa de benefício e riscos do procedimento.
“Nem sempre a melhor conduta é operar imediatamente. Em alguns casos, a observação cuidadosa pode ser mais adequada do que uma cirurgia que traria riscos adicionais”, explica.
Vida após o diagnóstico
Hoje, quase três anos após a cirurgia, Alexandre segue em acompanhamento periódico e mantém uma rotina ativa. A experiência mudou sua forma de enxergar o cotidiano, mas reforçou prioridades que já considerava essenciais.
“O que me motiva todos os dias é estar saudável, poder trabalhar, cuidar dos meus filhos e assumir minhas responsabilidades como pai.”



