Missão naval da UE intercepta petroleiro russo no Mediterrâneo
Missão da UE intercepta petroleiro russo no Mediterrâneo

No domingo, uma missão naval da União Europeia liderada pela Itália abordou o navio-tanque Toa Payoh, que está sob sanções do bloco e é apontado como parte da chamada "frota paralela" usada pela Rússia para contornar as restrições petrolíferas. A ação ocorreu a oeste da ilha siciliana de Pantelleria, no Mediterrâneo, enquanto a embarcação seguia do Benim para Istambul, conforme informou o Ministério da Defesa da Itália. Esta é a segunda operação do tipo em menos de duas semanas, sinalizando o endurecimento europeu no monitoramento de navios suspeitos de ajudar Moscou a driblar as sanções.

Interceptação do Toa Payoh

Segundo uma fonte familiarizada com a operação, o Toa Payoh havia mudado para o registro de Camarões apenas na semana passada. As autoridades marítimas iniciaram uma inspeção para verificar se o petroleiro tinha o direito legal de ostentar a bandeira camaronesa e se seus documentos de registro eram válidos. A fonte acrescentou que a missão EUNAVFOR MED Irini não tinha autoridade para apreender embarcações durante essas inspeções, o que explica o fato de o Toa Payoh não ter sido detido.

A documentação recolhida durante a abordagem ainda está sendo examinada e poderá ser usada por autoridades nacionais para uma eventual apreensão posterior, se houver indícios de irregularidades. O ministério italiano não detalhou o conteúdo dos documentos, mas a operação foi concluída em segurança.

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Abordagem de helicóptero e cooperação internacional

Inicialmente, o capitão do Toa Payoh não cooperou com a equipe da UE, o que levou militares italianos a abordarem a embarcação por meio de um helicóptero lançado do Thaon di Revel, o navio-almirante da EUNAVFOR MED. A inspeção contou com o apoio de uma embarcação grega e de uma aeronave de patrulha marítima polonesa, durando cerca de duas horas. A ação transcorreu de forma segura, sem incidentes, segundo o Ministério da Defesa.

Não houve comentários imediatos por parte da Rússia. A operação ocorre depois da intervenção, em 20 de julho, no MV South Star, outro petroleiro associado à frota paralela, que foi inspecionado pelas forças da Irini sob suspeita de navegar com bandeira falsa.

Frota paralela e sanções da UE

A União Europeia sancionou dezenas de embarcações que, segundo Bruxelas, integram uma "frota paralela" usada pela Rússia para contornar as limitações impostas às suas exportações de petróleo desde o início da invasão da Ucrânia. Essas embarcações frequentemente operam com bandeiras de conveniência, mudanças de propriedade e seguros atípicos, dificultando o rastreamento e a aplicação das sanções.

A EUNAVFOR MED Irini, criada em 2020, tinha como mandato inicial o cumprimento do embargo de armas da ONU à Líbia. No entanto, com o agravamento da geopolítica energética, os governos europeus ampliaram o escopo da missão para autorizar inspeções de verificação em navios suspeitos de violar sanções relacionadas à Rússia. Essa expansão permite que as forças europeias atuem em pontos estratégicos do Mediterrâneo, como a rota entre o norte da África e a Europa.

A abordagem do Toa Payoh e do South Star evidencia a determinação da UE em aplicar as sanções de forma mais efetiva. A missão, contudo, não tem autoridade para apreender diretamente as embarcações, o que significa que qualquer medida mais severa dependerá de procedimentos legais conduzidos por Estados-membros, com base nas provas coletadas durante as inspeções.

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