A cantora gospel Ana Clézia faleceu aos 38 anos após passar sete dias internada em Palmas, no Tocantins. Ela realizava tratamento para problemas no fígado há 15 anos e convivia com outras doenças crônicas, mas não chegou a realizar o transplante indicado pelos médicos. A irmã e parceira musical, Laudicéia Gomes, lembra que Ana era uma pessoa divertida, alegre e sonhadora.
Trajetória musical e superação
Ana Clézia e Laudicéia formavam uma dupla gospel que conquistou público no meio evangélico em Palmas e ficou conhecida pelo trabalho de adoração. Elas lançaram três CDs ao longo da carreira. Para custear a produção e o lançamento do primeiro CD com músicas autorais, chegaram a vender coxinhas e galinhada, além de montar um bazar e uma barraca de guaraná da Amazônia.
"Ela sempre sonhou alto, tinha uma visão de águia. Sempre cantando, no lugar que chegasse, podia dar um violão, bater qualquer instrumento que ela já cantava. Ela viveu o mesmo tempo que uma pessoa transplantada vive, e ela foi feliz. Minha irmã foi feliz", diz Laudicéia.
Conquistas internacionais
As cantoras conseguiram se apresentar na Europa antes da morte de Ana. Elas rodaram 14 estados do Brasil cantando para públicos evangélicos, participaram de congressos internacionais realizados em Portugal e na Itália e chegaram a cantar no Paraguai no início do ministério musical. O sonho de cantar nasceu quando Ana tinha 20 anos e Laudicéia, 18, enquanto faziam faxina em casa e ensaiavam uma música para cantar em uma igreja em Luzinópolis.
Luta contra doenças crônicas
Ana recebeu o diagnóstico de doenças crônicas aos 14 anos de idade. De acordo com Laudicéia, a irmã tinha artrite reumatoide, lúpus, colite e retocolite ulcerativa. A última internação aconteceu por causa de uma pedra nos rins, no dia 5 de junho. Ela foi levada para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Palmas.
"Deram uma medicação para aliviar a dor e ela não acordou mais. Três dias depois, ela foi intubada. Ficaram esperando ela despertar daquela encefalopatia, que ela já tinha apresentado outras vezes, e tentaram fazer hemodiálise no último dia para ver se ela reagia", explica Laudicéia.
Legado e comoção
A morte de Ana Clézia gerou comoção entre evangélicos. A última agenda oficial da dupla ocorreu em 22 de novembro de 2025. As irmãs já vinham reduzindo as apresentações públicas por conta do estado de saúde de Ana. "Falar da Ana Clézia é sorrir até na tristeza, porque mesmo com a partida da minha irmã, tudo que eu lembro dela me faz sorrir", conclui Laudicéia.



