A química brasileira Lívia Schiavinato Eberlin, professora da Baylor College of Medicine, nos Estados Unidos, desenvolveu a MasSpec Pen, um dispositivo que identifica tecido cancerígeno em apenas 10 segundos durante uma cirurgia. A tecnologia já é chamada de 'caneta que detecta câncer'.
O funcionamento da caneta é simples: o médico encosta a ponta do dispositivo sobre o tecido suspeito, que libera uma microgota de água estéril. Essa gota extrai moléculas da superfície e é aspirada para um espectrômetro de massas, que analisa a composição química em tempo real e indica se o tecido é saudável ou cancerígeno.
Estudos publicados em revistas como Science Translational Medicine e JAMA Surgery mostraram acurácia superior a 90% em tumores de pulmão, tireoide, mama e ovário. Além de detectar o câncer, o aparelho pode revelar o perfil imunológico do tumor, ajudando médicos a escolher quem responderá melhor à imunoterapia.
O Einstein Hospital Israelita, em São Paulo, é o primeiro centro fora dos Estados Unidos a testar a tecnologia, em parceria com a Thermo Fisher Scientific. O estudo clínico está sendo realizado em pacientes com câncer de pulmão e tireoide.
Atualmente, o padrão-ouro para definir margens cirúrgicas é o exame de congelação, que pode levar de 20 minutos a 1h30, tempo em que o paciente permanece anestesiado. A MasSpec Pen promete reduzir esse tempo drasticamente, aumentando a precisão e diminuindo os riscos cirúrgicos.



