Brinquedos e brincadeiras melhoram memória e reduzem estresse em pets, diz estudo
Brinquedos e brincadeiras melhoram memória e reduzem estresse em pets

Uma brincadeira depois do treinamento, alguns minutos de caça simulada com uma varinha ou parte da refeição escondida em um brinquedo interativo. Práticas simples como essas podem favorecer a memória, reduzir sinais de estresse e permitir que cães e gatos expressem comportamentos naturais. A ciência mostra que brincar desempenha um papel importante na saúde física e mental dos pets e pode até ajudar os tutores a identificar quando algo não vai bem.

Curadoria científica de 31 estudos

As descobertas fazem parte de uma curadoria de 31 estudos científicos sobre comportamento, cognição e bem-estar animal realizada pela Pet Games, com autoria científica da bióloga comportamentalista Luisa Dutra e do médico veterinário comportamentalista Dalton Ishikawa, fundador e CEO da empresa. O resultado é o Pets & Ciência, um calendário diário permanente que consolida esses insights e que será presenteado com exclusividade aos participantes do PET Comportamento, congresso que integra a programação da PET South America.

Na feira, que será realizada entre os dias 12 e 14 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo, especialistas e profissionais do setor discutirão temas relacionados à qualidade de vida dos animais, ao lado de lançamentos, soluções e tendências que vêm transformando os cuidados com os pets.

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Aprendizado e qualidade de vida

Uma das pesquisas da curadoria investigou como brincar logo após o treinamento poderia afetar a memória dos cães. No experimento, realizado com 19 labradores, parte dos animais descansou depois de aprender uma tarefa, enquanto o outro grupo participou de uma sessão de brincadeira e passeio. No dia seguinte, os cães do segundo grupo precisaram de menos sessões para recordar o que haviam aprendido e apresentaram níveis mais baixos de estresse. O resultado indica que encerrar o treino com uma experiência positiva pode contribuir para a consolidação da memória e tornar o processo de aprendizagem mais agradável.

Entre os gatos, a frequência e a variedade das brincadeiras também aparecem relacionadas à qualidade de vida. Um levantamento identificou melhores indicadores de bem-estar e de relacionamento com os tutores entre os felinos que brincavam com maior frequência e tinham acesso a estímulos diversificados. Quando essa rotina diminuía, 15,6% dos responsáveis percebiam aumento dos miados e 10,5% relataram mais comportamentos destrutivos.

Comportamentos naturais e redução de problemas

As pesquisas ainda sugerem que algumas atitudes consideradas inconvenientes pelos tutores podem surgir quando o animal não encontra oportunidades adequadas para explorar, farejar, perseguir, buscar alimentos ou manipular objetos. Entre os gatos com acesso à rua, sessões de pelo menos cinco minutos com varinhas e pequenas presas artificiais foram associadas à redução da caça de animais silvestres. Outro levantamento revelou que 40,9% dos felinos apresentam o hábito de buscar objetos, geralmente relacionado aos cães.

Para os cachorros, oferecer parte da alimentação em brinquedos recheáveis ou quebra-cabeças incentiva a busca pela comida, reduz o tempo ocioso e pode diminuir latidos e sinais de estresse durante períodos de confinamento ou hospedagem.

Opinião de especialista

"Brincar permite que o animal expresse comportamentos naturais, faça escolhas e participe ativamente da própria rotina. Quando o tutor observa as preferências do pet e oferece estímulos adequados, promove bem-estar e aprende a se comunicar melhor com ele", afirma Dalton Ishikawa.

Recomendações práticas

Para incorporar essas práticas ao cotidiano, a recomendação é começar com períodos curtos e observar a reação de cada animal. Alternar brinquedos, simular os movimentos de diferentes presas para os gatos, oferecer alimentos de forma interativa e encerrar o treinamento dos cães com uma experiência prazerosa são algumas possibilidades. Mais importante do que acumular objetos é criar oportunidades para que o pet se movimente, investigue o ambiente e interaja com o tutor.

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