Brasileiros desconhecem exame que detecta câncer de intestino precocemente
Brasileiros desconhecem exame que detecta câncer de intestino

Uma pesquisa inédita realizada pelo A.C.Camargo Cancer Center em parceria com a Nexus revela que a maioria dos brasileiros desconhece um exame capaz de detectar o câncer de intestino antes mesmo do aparecimento dos sintomas. O diagnóstico precoce dessa doença pode garantir chances de cura superiores a 90%, mas o estudo aponta um obstáculo importante: muitas pessoas ignoram os primeiros sinais ou demoram a procurar atendimento médico.

Reconhecimento dos sintomas, mas falta de ação

Segundo o levantamento, 67% dos entrevistados sabem que a presença de sangue nas fezes pode ser um sintoma de câncer colorretal, e 80% consideram esse um sinal grave. No entanto, entre os 9% que relataram já ter percebido sangue nas fezes, quase metade não procurou atendimento médico. A cantora Preta Gil, que passou por tratamento contra o câncer de intestino, contou que também demorou a associar os sintomas à doença. Ela relatou que passou cerca de seis meses com prisão de ventre intensa e percebeu alterações nas fezes, como presença de sangue, muco e mudança no formato, mas não imaginou que aqueles poderiam ser sinais de um tumor.

O administrador Paulo teve uma história semelhante. Ele começou a notar episódios de sangramento, mas acreditava que o problema estivesse relacionado à alimentação ou a hemorroidas. Especialistas alertam que esse é um erro comum. "Nem tudo que sangra pelo reto é hemorroida", reforça Drauzio Varella.

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Aumento de casos entre jovens

Embora historicamente o câncer colorretal fosse mais frequente após os 50 anos, estudos têm mostrado crescimento da doença entre adultos mais jovens. Levantamento do A.C.Camargo aponta que, no estado de São Paulo, os casos em pessoas com menos de 50 anos cresceram quase 3% ao ano entre 2000 e 2023. Segundo especialistas, ainda não há uma explicação definitiva para esse aumento, mas fatores como alimentação inadequada, sedentarismo e outros hábitos relacionados ao estilo de vida moderno são considerados as hipóteses mais prováveis.

Diagnóstico precoce faz diferença

Os médicos ressaltam que nenhuma alteração intestinal deve ser negligenciada. Quando o câncer é identificado ainda na fase inicial, antes mesmo do surgimento dos sintomas, as chances de cura ultrapassam 90%. Uma das ferramentas para isso é o teste imunológico fecal (FIT), que detecta sangue oculto nas fezes — aquele que não pode ser visto a olho nu. No entanto, dois terços dos brasileiros desconhecem a existência desse exame, segundo a pesquisa.

A expectativa é que esse cenário comece a mudar com a implementação de um novo protocolo nacional de rastreamento do câncer colorretal. A iniciativa prevê a oferta do exame pelo SUS para ampliar a prevenção e o diagnóstico precoce entre brasileiros de 50 a 75 anos. De acordo com especialistas, o FIT tem sensibilidade superior a 95% como exame de triagem e, quando o resultado é positivo, o paciente é encaminhado para colonoscopia, exame que confirma o diagnóstico e permite retirar pólipos antes que eles se transformem em tumores.

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