Brasil desperdiça água para abastecer 77 milhões de pessoas por ano
Brasil desperdiça água para 77 milhões de pessoas

Desperdício de água no Brasil: volume suficiente para 77 milhões de pessoas

Um estudo do Instituto Trata Brasil revela que o Brasil desperdiça anualmente um volume de água tratada suficiente para abastecer 77 milhões de brasileiros. Isso equivale a mais de 4 bilhões de metros cúbicos de água, ou cerca de 40% de toda a água produzida no país. Antes de chegar às torneiras, a água percorre um longo caminho, e parte dela se perde no trajeto, principalmente devido a vazamentos na rede de distribuição e ligações clandestinas, os chamados "gatos".

Impactos ambientais e regionais

De acordo com Luana Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil, o desperdício gera um impacto ambiental significativo. "Nós temos um impacto ambiental, porque a gente está captando muito mais água do que deveria. Então, captando 40% a mais de água dos nossos mananciais, impactando na fauna, na flora, nas bacias hidrográficas", afirma. As perdas são mais acentuadas nas regiões Norte e Nordeste, onde quase metade da água potável não chega ao consumo. No Sul e no Sudeste, as perdas superam 35%. Já o Centro-Oeste apresenta o menor índice de desperdício entre as regiões brasileiras.

Metas e soluções para redução das perdas

O governo federal estabeleceu uma meta para as cidades: até 2033, as perdas de água devem ser reduzidas para no máximo 25%. Atualmente, apenas 20 cidades brasileiras atingiram esse objetivo. Campinas, no interior de São Paulo, é um exemplo de sucesso. A cidade utiliza sensores que detectam pequenos vazamentos, permitindo reparos rápidos. "Os vazamentos, assim, eles não são evitáveis. O que a gente consegue é fazer o reparo deles o quanto antes", explica Sabrina Coelho, engenheira ambiental da Sanasa, a empresa de saneamento local.

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Preservação de nascentes como estratégia

Para compensar as perdas, é essencial garantir a produção de água, o que começa na proteção das nascentes dos rios. Na região de Curitiba, um projeto de reflorestamento recuperou quase cem hectares de vegetação, que funciona como uma barreira natural, protegendo as nascentes. O agricultor Leonardo de Senna, que participa da iniciativa, destaca os benefícios: "A gente tem esse visual de ter mais fauna e flora e a água tem mais abundância, sim". A floresta atua como uma imensa caixa-d'água, devolvendo às cidades esse recurso essencial. "Acho que esse é o principal ponto: temos que cuidar do solo e da natureza que está nessa área porque é isso que provê a água para a sociedade", afirma Guilherme Karam, coordenador nacional do Movimento Viva Água.

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