Um estudo publicado na revista Archives of Disease in Childhood revela que bebês nascidos durante o primeiro lockdown da pandemia de covid-19 apresentam, aos quatro anos de idade, maior dificuldade em atenção, autorregulação e funções executivas. A pesquisa, conduzida pela Universidade City St George's, em Londres, comparou o desenvolvimento de crianças que passaram os primeiros meses de vida em confinamento com aquelas nascidas antes da pandemia.
Menor desempenho em funções executivas
Os pesquisadores avaliaram 1.600 crianças e identificaram que as nascidas durante o lockdown tiveram escores significativamente mais baixos em testes que medem a capacidade de concentração, controle de impulsos e planejamento. "A falta de interações sociais diversificadas nos primeiros anos pode ter impactado o desenvolvimento dessas habilidades", explica a coordenadora do estudo, Dra. Sarah Johnson. O isolamento reduziu o contato com outras crianças e adultos fora do núcleo familiar, fator crucial para o amadurecimento cognitivo.
Desenvolvimento de linguagem receptiva foi favorecido
Curiosamente, o estudo também apontou que o isolamento beneficiou a linguagem receptiva — a capacidade de compreender palavras e frases. As crianças confinadas tiveram mais tempo de exposição à fala dos pais e menos estímulos externos, o que pode ter contribuído para um vocabulário passivo mais robusto. No entanto, a vantagem não compensou as deficiências nas funções executivas.
Necessidade de apoio escolar
Os autores recomendam que escolas e sistemas de saúde ofereçam suporte adicional a essas crianças. "Programas de intervenção precoce focados em atenção e autorregulação podem mitigar os efeitos negativos do confinamento", afirma a Dra. Johnson. O estudo reforça a importância de políticas públicas que identifiquem e auxiliem a "geração pandemia" a superar os desafios cognitivos.



