A autocoleta vaginal para teste de HPV surge como estratégia promissora para reduzir desigualdades no rastreamento do câncer do colo do útero no Brasil. Cerca de 19 mil novos casos são registrados anualmente, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). Muitas mulheres deixam de fazer o exame por vergonha, medo do desconforto ou dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
Nova diretriz brasileira
Em 2025, o Brasil publicou a Nova Diretriz Brasileira para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, que substitui gradualmente o Papanicolau pelo teste molecular de HPV oncogênico no SUS, ao longo de cinco anos. A coleta pode ser feita por profissionais ou pela própria mulher, por autocoleta vaginal, ampliando o acesso.
Estudo focado em mulheres negras
A Rede Previna-se, fundada em 2013 pela professora Marcia Edilaine Lopes Consolaro, da Universidade Estadual de Maringá (UEM), desenvolve projetos de autocoleta. Em 2024, iniciou um estudo intitulado “Autocoleta para teste de HPV como estratégia de promoção da equidade e de diminuição da morbimortalidade por câncer do colo do útero em mulheres negras das diferentes macrorregiões brasileiras”, financiado pelo CNPq.
O estudo avalia aceitabilidade e adesão de mulheres negras urbanas e quilombolas à autocoleta. Participam 600 mulheres em cinco cidades: Maringá (PR), Dourados (MS), Manaus (AM), Natal (RN) e Recife (PE). Agentes Comunitários de Saúde e líderes comunitários foram treinados para realizar busca ativa.
Impacto esperado
As amostras coletadas são enviadas a laboratório especializado para identificar HPV de alto risco. Mulheres com resultados positivos são encaminhadas para tratamento. A estratégia pode fortalecer políticas públicas, promovendo equidade no acesso à saúde.
“A autocoleta é rápida, indolor e pode ser feita em casa, aumentando a adesão”, afirma Consolaro. O projeto visa reduzir as maiores taxas de mortalidade entre mulheres negras, que continuam aumentando.



