A Secretaria de Saúde de Juiz de Fora afastou preventivamente um médico e uma técnica de enfermagem envolvidos na morte de Raimundo Evangelista de Almeida, de 69 anos. O idoso faleceu após receber dipirona injetável no Hospital de Pronto Socorro (HPS), apesar de a família ter informado sobre sua alergia ao medicamento.
O caso ocorreu na noite de 24 de maio, quando Raimundo recebeu a medicação. Logo depois, teve um mal súbito e morreu na madrugada seguinte. A Controladoria-Geral do Município determinou o afastamento cautelar dos profissionais por 60 dias, sem prejuízo salarial, para evitar interferência nas investigações.
Prontuário com informações contraditórias
O prontuário médico, obtido pela família e enviado ao g1, mostra que havia registro de intolerância à dipirona. No entanto, em outra parte do documento, consta a prescrição do medicamento a cada seis horas. O relato de enfermagem indica que às 21h30 de 24 de maio foi administrada dipirona 1g via endovenosa, conforme prescrição, e que o paciente apresentou mal súbito após a administração.
Além disso, uma placa afixada no leito de Raimundo também alertava sobre a alergia. A filha do paciente, Tainá Ribeiro, afirmou que a família avisou a equipe médica sobre a condição do pai. “No prontuário tem as duas informações: de que ele não podia tomar dipirona e que era alérgico e também receitando dipirona de seis em seis horas. Ele não podia ter recebido aquela injeção”, disse.
Investigação em andamento
Além do processo administrativo da Prefeitura, a 1ª Delegacia de Polícia, sob responsabilidade do delegado Luciano Vidal, também apura o caso. A família aguarda esclarecimentos sobre as circunstâncias da morte.
Raimundo deu entrada no HPS após ser atropelado na rua José Lourenço, no bairro Borboleta, no dia 23. Segundo a filha, ele estava se recuperando bem, já comia alimentos pastosos e só não recebera alta por dores na coluna e no tornozelo. Ele não tinha comorbidades, apenas fazia tratamento para pressão arterial.
A família relatou que sempre informava sobre a alergia em atendimentos anteriores. “Ele nunca teve crise grave, pois a gente sempre avisava. Minha irmã falou na triagem, falou para outro médico também, deixamos bem claro que ele tinha alergia”, lamentou Tainá.
O caso levanta questionamentos sobre a comunicação de alergias em ambientes hospitalares e a necessidade de protocolos rigorosos para evitar erros fatais.



